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Internacional

Vargas Llosa critica López Obrador por exigir perdão sobre conquista da América

27/03/2019 16h05

Córdova, Argentina, 27 Mar 2019 (AFP) - O escritor peruano Mario Vargas Llosa criticou nesta quarta-feira o presidente socialista do México, Andrés Manuel López Obrador, por pedir ao rei da Espanha e ao papa Francisco que se desculpem pelos "danos" cometidos durante a conquista da América.

"Tenho a impressão de que o presidente mexicano se equivocou de destinatário. Deveria ter enviado essa carta para ele mesmo", disse o escritor em seu discurso inaugural no Congresso Internacional da Língua Espanhola, que acontece de quarta a sábado em Córdoba, Argentina.

O vencedor do Prêmio Nobel de Literatura 2010 pediu ao presidente que explicasse por que o México, independente há dois séculos, ainda tem "tantos milhões de indígenas marginalizados, pobres, ignorantes e explorados".

O escritor se uniu à onda de críticas que López Obrador recebeu nos últimos dias por enviar uma carta ao rei da Espanha, Felipe VI, e ao Vaticano.

López Obrador anunciou na segunda-feira que enviou uma carta ao rei Felipe VI da Espanha e ao papa Francisco exigindo que peçam perdão pelos danos cometidos contra povos originários durante a conquista espanhola da América.

As cartas geraram a rejeição do governo espanhol e a condenação de personalidades espanholas, enquanto o Vaticano recordou que vários papas já se desculparam pelos citados abusos.

Vargas Llosa disse, inclusive, que o presidente mexicano "não parece informado", porque os grandes massacres entre os índios do continente começaram muito antes da chegada dos anos coloniais e continuaram sendo cometidos quando os países se tornaram independentes.

"É um problema que está aqui, ainda vivo hoje".

Com certa ironia, o escritor desejou que, "quando terminar o mandato de Andrés Manuel López Obrador, graças a sua gestão, os índios tenham melhores condições de vida".

O monarca espanhol, que também participa do congresso, evitou o tema.

Segundo a Casa Real, Felipe VI não tem a intenção de abordar a questão, rejeitada "com firmeza pelo governo espanhol".

"A chegada, há 500 anos, dos espanhóis às atuais terras mexicanas não pode ser julgada à luz de considerações contemporâneas", disse o comunicado do governo espanhol.

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