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Presidente da Câmara britânica é atração nos debates do Brexit

29/03/2019 10h19

Londres, 29 Mar 2019 (AFP) - Responsável por decidir o que é debatido na Câmara dos Comuns britânica, seu presidente John Bercow está no centro e acaba sendo uma verdadeira atração no dramático processo do Brexit.

O peculiar legislador de 56 anos de idade, com um gosto pronunciado pela teatralidade, é acima de tudo conhecido por presidir debates gritando "Ordem! Ordem!" a deputados indisciplinados e ministros que não gostam muito dele.

Cabe ao "speaker" da Câmara dos Comuns decidir quais emendas submetidas a uma moção específica serão debatidas e votadas, e conseguir conduzir os debates de forma imparcial.

É por isso que as suas decisões são cuidadosamente escrutinadas pelo governo e pelos eurocéticos que regularmente o acusam de beneficiar os pró-europeus, contra a neutralidade que o seu papel lhe impõe.

Surgido das fileiras do Partido Conservador de May, Bercow tem sido a pedra no sapato dos sucessivos governos conservadores.

O primeiro-ministro anterior, David Cameron, até tentou, sem sucesso, expulsá-lo do cargo.

Com sua toga de seda preta e suas gravatas estampadas, o político de 1,68 metro de altura, cabelos brancos grossos e voz poderosa, foi dotado, graças a uma interpretação pessoal das atribuições que confere ao seu consultório, de um papel mais decisivo do que seus antecessores.

Antes de provocar críticas por sua maneira de lidar com os debates do Brexit, ele já havia ganhado a censura dos conservadores por se posicionar no ano passado contra a possibilidade de o presidente americano Donald Trump falar diante do Parlamento britânico.

Nascido em 19 de janeiro de 1963, Bercow cresceu no norte de Londres. Seu pai era um motorista de táxi.

Deu seus primeiros passos na política na universidade antes de se tornar um conselheiro municipal no bairro londrino de Lambeth, aos 23 anos.

Em 1997, foi eleito deputado pela primeira vez.

Doze anos depois, foi escolhido para a presidência da Câmara dos Comuns prometendo romper com as práticas de seu antecessor, implicado em um escândalo de notas de despesas ilegítimas que o forçou a renunciar.

Convertido aos 46 anos no mais jovem dono desta posição de prestígio, Bercow investiu na modernização dos costumes, abandonando alguns elementos de trajes tradicionais, como a peruca.

Em junho de 2017, permitiu que os deputados entrassem nas sessões sem gravata.

Mas também provocou controvérsia ao gastar milhares de libras para reformar seu apartamento funcional e assim poder morar com seus três filhos.

Sua esposa, Sally Bercow, também esteve nas manchetes dos jornais por razões muitas vezes alheias à política: uma vez ela posou para uma revista vestida apenas com um lençol branco, participou de um reality show e manteve um relacionamento com o primo de seu marido.

Mas, acima de tudo, em 2010, ela se apresentou para uma eleição local pelo Partido Trabalhista, o principal adversário da formação de seu marido.

Bercow não se abalou. "Minha esposa não pertence a mim", afirmou.

Bercow deveria se aposentar do cargo no fim de 2019, mas poderá permanecer nele em face de rumores de que os conservadores querem impedi-lo de entrar na Câmara dos Lordes como dita a tradição.

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