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Ator é favorito no primeiro turno da eleição presidencial na Ucrânia

Candidato Volodymyr Zelensky no set durante as filmagens de seu programa de televisão "Servo do povo", em Kiev - Brendan Hoffman/The New York Times
Candidato Volodymyr Zelensky no set durante as filmagens de seu programa de televisão "Servo do povo", em Kiev Imagem: Brendan Hoffman/The New York Times

Em Kiev

30/03/2019 08h14

Os ucranianos vão às urnas amanhã para o primeiro turno de uma eleição presidencial imprevisível, com um ator sem experiência política como favorito, de acordo com as pesquisas, e desafios consideráveis para este país às portas da União Europeia e devastado por um conflito armado.

A inesperada e brilhante ascensão do ator e empresário Volodymyr Zelensky faz parte da tendência mundial de desconfiança popular em relação às elites políticas.

Esta tendência é particularmente forte na Ucrânia, onde os escândalos de corrupção foram numerosos, enquanto a população sofre cinco anos de guerra e sérias dificuldades econômicas.

Entre os 39 candidatos na disputa - algo nunca visto - Volodymyr Zelensky ultrapassa de longe seus rivais com 28% das intenções de voto, de acordo com uma pesquisa publicada no início desta semana por três institutos ucranianos.

E supera dois pesos-pesados da política ucraniana: o atual presidente Petro Poroshenko, 53 anos, e ex-primeiro-ministro, às vezes acusado de populismo, Yulia Tymoshenko, 58, empatado em segundo lugar com 16% de intenção de votos.

Uma vitória de Zelensky seria "um enorme desafio para o país", adverte Mykola Davydiuk, analista do centro "Politika" em Kiev.

Além disso, "a mobilização dos eleitores continua sendo uma incógnita", afirma o especialista.

O eleitorado do ator inclui muitos jovens, que tendem a votar menos.

Aos 41 anos, a única "experiência" de Zelensky com o poder se resume ao seu papel em uma série televisionada na qual ele interpreta um professor de história que de repente se torna presidente.

Portanto, seus detratores expressam sérias dúvidas sobre sua capacidade de governar em um momento crucial para um dos países mais pobres da Europa.

A Ucrânia, que se tornou claramente pró-ocidental desde 2014, está passando pela pior crise desde sua independência em 1991.

Guerra de independência

A chegada dos pró-ocidentais ao poder em fevereiro de 2014 após a revolta da praça Maidan foi seguida pela anexação pela Rússia da península ucraniana da Crimeia.

Logo após a guerra começou com os separatistas pró-russos no leste do país, que desde então deixou 13.000 mortos, um balanço que continua a piorar.

Este conflito é considerado na Ucrânia como uma "guerra de independência" com a Rússia, país acusado de apoiar militarmente os separatistas.

Daí a importância do tom o vencedor da eleição usará ante o Kremlim.

No que diz respeito à orientação do país, os três principais candidatos defendem a continuação da aproximação com o Ocidente.

O presidente Poroshenko é apresentado como a principal muralha de contenção ante de seu colega russo Vladimir Putin.

"Meu aliado é o povo ucraniano (...) meu adversário é Putin", disse o presidente ucraniano na terça-feira.

E na quarta-feira afirmou que sua prioridade em caso de vitória será resolver a questão da Crimeia anexada pela Rússia em 2014.

Ao longo de sua campanha, o chefe de Estado insistiu na recente criação de uma Igreja Ortodoxa independente de Moscou, uma medida popular que, para muitos setores, não compensa a falta de progresso na luta contra a corrupção.

Por sua parte, Tymoshenko promete aos ucranianos trazer de volta a "paz e os territórios ocupados", bem como diminuir o preço do combustível, grande preocupação dos credores de Kiev.

Em suma, o ator favorito das urnas não realizou uma campanha presidencial tradicional, e se expressa basicamente através das redes sociais, enquanto ainda produz shows humorísticos em seu estúdio "Kvartal 95".

Seus seguidores veem nele uma lufada de ar fresco e uma oportunidade de mudança, mas seus detratores o acusam de ser um fantoche de um oligarca controverso, Igor Kolomoiski.

Ele é dono de uma televisão, 1 + 1, o que dá a Zelensky uma cobertura abundante e bastante positiva.

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