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Internacional

Coreia do Norte chama de 'ataque terrorista' ação em sua embaixada em Madri

31/03/2019 10h43

Seul, 31 Mar 2019 (AFP) - A Coreia do Norte descreveu, neste domingo (31), como um "ataque terrorista" a ação contra a sua embaixada em Madri no mês passado e pediu uma "investigação" sobre o ato, reivindicado por um misterioso grupo de opositores.

A representação diplomática da Coreia do Norte foi atacada em 22 de fevereiro por um comando, poucos dias antes da segunda cúpula em Hanói entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong Un.

Após várias semanas de total silêncio sobre a investigação realizada na Espanha, um juiz de instrução revelou na terça-feira detalhes sobre o assalto e sobre o grupo responsável, do qual vários membros são alvos de um mandado de captura internacional.

O grupo de Defesa Civil Cheollima (DCC) assumiu a responsabilidade por este ataque e disse que queria divulgar as atividades "ilegais" dos representantes diplomáticos de Pyongyang no exterior.

Em sua primeira reação oficial, a Coreia do Norte fez alusão neste domingo a um possível envolvimento dos Estados Unidos e pediu às autoridades espanholas que levem "à Justiça os terroristas e aqueles que movem os fios".

"Em 22 de fevereiro houve um grave ataque terrorista, em que um grupo armado invadiu a embaixada da Coreia do Norte na Espanha", disse um porta-voz do ministério das Relações Exteriores norte-coreano, usando as iniciais do nome oficial do país, República Popular Democrática da Coreia, em uma declaração emitida pela agência oficial KCNA.

"Acompanhamos os rumores indicando que o FBI dos Estados Unidos e a insignificante entidade anti-RPDC estiveram envolvidos no incidente terrorista", acrescentou.

"Esperamos que as autoridades competentes na Espanha realizem uma investigação", acrescentou.

A justiça espanhola apontou na quarta-feira Adrián Hong Chang, um mexicano que mora nos Estados Unidos, como o suposto chefe do comando.

De acordo com a Audiência Nacional, Hong Chang "entrou em contato com o FBI dos Estados Unidos" cinco dias após o ataque, "a fim de fornecer informações sobre o incidente na embaixada".

O juiz José de la Mata indicou que dois dos assaltantes levaram o adido comercial a uma sala subterrânea e forçaram-no a desertar, o que ele recusou.

- Grupo dissidente -Em um comunicado divulgado na semana passada, o DCC afirmou que "a organização compartilhou informações de enorme valor potencial com o FBI, sob termos de confidencialidade por acordo mútuo".

Também garantiu que o ataque não estava ligado à cúpula de Hanói e que outros governos não estavam envolvidos.

O grupo também anunciou a suspensão temporária de suas operações, embora tenha prometido "grandes coisas" no futuro.

"Somos um grupo de desertores que se reuniram com compatriotas de todo o mundo", explicou o grupo no texto publicado em seu site.

O comunicado acrescenta que há preparativos para derrubar o líder norte-coreano Kim Jong, mas que eles foram perturbados por todo o ruído midiático a respeito da ação em Madri.

"As atividades dos membros foram temporariamente suspensas. A mídia deve parar de meter o nariz nos assuntos do nosso grupo e de nossos membros. Grandes coisas nos esperam", assegurou.

As informações reveladas sobre os supostos vínculos entre o grupo e o FBI levaram Pyongyang a romper o silêncio depois de um mês, disse Thae Yong Ho, um ex-diplomata norte-coreano que desertou em 2016.

"O fato de a reação norte-coreana acontecer 37 dias depois do incidente mostra que eles se interessam muito pelo comunicado oficial", escreveu Thae em seu site.

Thae apontou ainda que Pyongyang pressionou as autoridades espanholas para confirmar a identidade do grupo responsável pelo ataque.

No mês passado, o grupo se autoproclamou o governo da Coreia do Norte no exílio, chamado "Joseon Free", que recebeu o nome da dinastia que ocupou o trono coreano de 1392 a 1910, ano da anexação do Japão.

O DCC alegou ter oferecido "proteção" a "compatriotas" e agradeceu a países como a Holanda, a China e os Estados Unidos por sua ajuda. Também disse que não queria nada em troca.

A organização ficou conhecida em 2017, quando postou um vídeo online do filho do irmão assassinado do líder norte-coreano, dizendo que ele havia garantido sua segurança.

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