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Falso médico francês que assassinou toda família será solto após 26 anos

2019-04-25T12:17:00

25/04/2019 12h17

Paris, 25 Abr 2019 (AFP) - Jean-Claude Romand, um francês que assassinou toda sua família depois de fingir durante duas décadas ser um médico famoso, um caso que inspirou filmes e um romance, obteve liberdade condicional depois de permanecer 26 anos na prisão.

"Ele recebeu liberdade condicional", disse seu advogado, Jean-Louis Abad, à AFP.

Sua soltura é "iminente, mas certamente não será hoje", acrescentou o advogado, após uma decisão do tribunal de apelações de Bourges (centro).

Em 1993, Jean-Claude Romand assassinou a tiros seus pais e dois filhos, assim como sua esposa, com um golpe, quando eles estavam prestes a descobrir que era um impostor.

Romand fingiu, por mais de uma década, que trabalhava para a Organização Mundial de Saúde (OMS), com sede em Genebra, como médico e pesquisador de sucesso.

Financiava sua vida com o dinheiro que lhe foi confiado por seus pais e amigos, aos quais garantia investir na Suíça.

Encurralado por vários colegas, a quem devia dinheiro, alguns dos quais descobriram sua identidade falsa, ele, então com 38 anos, decidiu executar toda sua família.

Ele matou sua esposa com uma joelhada, e os filhos, com 7 e 5 anos, com tiros pelas costas. Depois foi para a casa dos pais e os matou, atirando várias balas também nas costas.

No dia seguinte, incendiou sua casa e tentou cometer suicídio tomando remédios para dormir. Ele foi encontrado inconsciente pelos bombeiros.

Romand, que tem agora 65 anos, deverá usar uma pulseira eletrônica por dois anos e morar em uma área aprovada pela Justiça.

"É uma grande decepção para os meus clientes e uma causa de grande tristeza. Eles sentem que tudo acabou para Romand, mas que, para eles, o sofrimento jamais terá fim", disse Laure Moureu, advogada dos dois irmãos de Florence, a mulher de Romand.

Seu caso tem sido objeto de fascínio na França. Ele inspirou o romance "L'adversaire" (O Adversário), de Emmanuel Carrere, que foi levado para os cinemas em 2002, em um filme de Nicole Garcia estrelado pelo ator francês Daniel Auteuil.

O caso também inspirou o filme do diretor francês Laurent Cantet "L'emploi du temps", que foi muito bem recebido em 2001.

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