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Como é o dia a dia de um imperador do Japão

O imperador do Japão, Akihito, deixa o templo principal do santuário Ise Jingu durante visita no dia 18 de abril de 2019 - Issei Kato/Reuters
O imperador do Japão, Akihito, deixa o templo principal do santuário Ise Jingu durante visita no dia 18 de abril de 2019 Imagem: Issei Kato/Reuters

Em Tóquio

27/04/2019 08h46

Desde o café da manhã ritual do Ano Novo até as cerimônias xintoístas de fim de ano, passando por uma infinidade de atos, os imperadores do Japão têm uma agenda cheia e trabalham quase todos os dias.

Tarefas "nacionais"

Em virtude da Constituição de 1947, o imperador não tem poder de decisão, mas desempenha vários trabalhos. Sem ser Chefe de Estado, ele tem que cumprir com as atribuições protocolares do cargo.

É quem oficializa a nomeação do primeiro-ministro, dos membros do governo e do presidente do Supremo Tribunal.

Abre as sessões parlamentares, promulga as leis e tratados, se encarrega das condecorações e recebe as cartas credenciais dos embaixadores.

Assina a cada ano cerca de mil documentos e, segundo a Agência da Casa Imperial, se interessa pelo conteúdo de cada um deles.

As visitas de Estado só são classificadas assim quando incluem um encontro com o imperador. Os banquetes para os Chefes de Estado estrangeiros, jantares ou reuniões com dignatários de visita ao país acontecem no palácio imperial.

Recepções e cerimônias

O imperador e a imperatriz presidem centenas de cerimônias, recepções, espetáculos, almoços, lanches e jantares ao longo de todo o ano, levando ao palácio muitas pessoas de horizontes distintos.

Também recebem um pequeno comitê de investigadores, o governador do Banco do Japão (BoJ), representantes de círculos econômicos ou de ONGs, assim como cooperadores.

Os membros da família imperial não têm direito a emitir opiniões em público que possam ser interpretadas politicamente.

O imperador deve cumprir com ritos xintoístas, principalmente com sessões de oração pelos antepassados da família imperial no santuário do palácio. Os soberanos oram também pela felicidade e o bem-estar do povo.

Visitas e viagens

O imperador e sua esposa fazem pelo menos três viagens por ano pelo interior do Japão. E visitam quase sistematicamente lugares de catástrofes naturais para consolar os atingidos.

Entre 2012 e 2016 assistiram a homenagem nacional às vítimas do tsunami de março de 2011.

A Constituição lhe concede a função de "símbolo do Estado e da unidade do povo" que segundo o imperador Akihito implica em reconfortar as pessoas. Dias depois do acidente nuclear de Fukushima ele pronunciou um discurso solene transmitido pela televisão.

O imperador e a imperatriz visitaram até agora mais de 500 estabelecimentos para crianças, idosos e deficientes no país. A cada ano assistem a festivais como o do esporte, da árvore e do mar.

Lazer e tradições

O casal gosta de comprar a "waka" (uma forma clássica de poesia que remonta o século VIII), uma tradição da família imperial.

Em janeiro o imperador organiza no palácio leituras de poesia tradicional do Ano Novo.

Assim como seu pai Hirohito (também chamado de imperador Showa, nome da era de seu reino), o imperador Akihito, que herdou o trono em 1989, planta e colhe arroz no palácio imperial. É um apaixonado pela ciência e já publicou vários artigos em revistas especializadas.

A imperatriz Michiko é pianista e amante da música. Com a ajuda de empregados da Agência da Casa Imperial, cria bichos-da-seda no centro de sericicultura do palácio. Parte da seda produzida é usada para restauração de telas de valor histórico conservadas pela família imperial em Nara, a antiga capital do Japão, desde o século VIII.

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