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China formaliza prisão de dois canadenses acusados de espionagem

16/05/2019 14h17

Pequim, 16 Mai 2019 (AFP) - A crise diplomática entre os governos de Pequim e Ottawa se aprofundou nesta quinta-feira com o anúncio da prisão formal de dois canadenses, detidos desde dezembro e acusados de espionagem.

Michael Kovrig, um ex-diplomata que trabalhou na capital chinesa, e o consultor e empresário Michael Spavor, especialista em Coreia do Norte, foram detidos no final de 2018 e desde então estão na prisão.

"A procuradoria chinesa aprovou efetivamente sua prisão recente, conforme a lei", informou em coletiva de imprensa Lu Kang, um porta-voz do ministério das Relações Exteriores.

"O Canadá condena fortemente sua prisão arbitrária assim como havíamos condenado sua detenção arbitrária em 10 de dezembro" do ano passado, reagiu o ministério canadense das Relações Exteriores.

"Reiteramos à China nosso pedido de libertação imediata de Kovrig e Spavor", acrescentou a chancelaria.

"Defenderemos sempre, de maneira retumbante, os canadenses, e em particular esses canadenses detidos arbitrariamente", afirmou, por sua vez, o primeiro-ministro Justin Trudeau em coletiva de imprensa em Paris.

Segundo a China, Kovrig é suspeito de ter "coletado segredos de Estado" e Spavor, especialista em Coreia do Norte, é acusado de ter "roubado e proporcionado segredos de Estado" ao exterior, anunciou o ministério das Relações Exteriores chinês.

Os dois homens foram detidos poucos dias depois de o Canadá prender em seu território, a pedido dos Estados Unidos, Meng Wanzhou, a diretora financeira da companhia de telecomunicações Huawei.

O processo contra os dois canadenses é considerado no Ocidente como uma medida de represália contra a prisão da diretora da Huawei.

A China nega a acusação e assegura constituir "um estado de direito", apesar de a justiça continuar sob a influência do Partido Comunista.

Washington pede a extração de Meng para Estados Unidos, onde é acusada de cumplicidade de fraude para driblar as sanções contra o Irã.

Sua prisão abriu uma crise diplomática sem precedente entre Ottawa e Pequim.

A China costuma tratar com pouca transparência os casos que afetam a segurança nacional. Uma "prisão" indica em geral que as provas contra os detidos se consideram suficientes.

Uma fonte do governo canadense afirmou ao Globe and Mail que os dois homens não haviam sido acusados formalmente.

As autoridades chinesas anunciaram em março as suspeitas contra Michael Kovrig de espionagem e roubo de segredos de Estado, crimes considerados graves e com penas significativas.

Quando foi preso, Kovrig, um diplomata que estava em ano sabático, trabalhava para o centro de estudos International Crisis Group.

A China nunca revelou publicamente onde os canadenses estavam detidos, e lhes foi negado o direito a um advogado. Eles puderam, contudo, receber uma visita consular por mês.

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