Topo

Cristina Kirchner anuncia candidatura à vice-presidência da Argentina

2019-05-18T13:45:00

18/05/2019 13h45

Buenos Aires, 18 Mai 2019 (AFP) - A ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner anunciou, neste sábado (18), a sua candidatura para o cargo de vice-presidente do país na chapa de centro-esquerda para as primárias de agosto, em vista das eleições gerais de 27 de outubro.

Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Kirchner, de 66 anos, pede a Alberto Fernández, ex-chefe de gabinete do governo argentino, para ser candidato à presidência.

"Pedi a Alberto Fernández [seu ex-chefe de gabinete] que liderasse a chapa que integraremos juntos, ele como candidato a presidente e eu como candidata a vice nas primárias abertas, simultâneas e obrigatórias" de 11 de agosto, diz Kirchner no vídeo de 12 minutos pontuado por imagens de arquivo.

Até o momento, Kirchner lidera todas as pesquisas de intenção de voto para regressar ao poder que exerceu duas vezes (2007-2011 e 2011-2015).

Sua coalizão enfrentará o atual chefe de Estado, Mauricio Macri.

As investigações sobre o suposto envolvimento da ex-presidente em vários casos de corrupção não impedirão que ela concorra no pleito, já que o processo deve durar um ano, segundo analistas jurídicos. Além disso, tem foro privilegiado por ser senadora, o que lhe permitiu escapar das prisões preventivas.

No vídeo, que marca uma súbita virada na campanha, Kirchner destacou que Fernández, dirigente peronista, negociador e moderado, foi chefe de gabinete de seu marido, o já falecido ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), "em tempos difíceis", após a crise de 2001, a pior na história do país.

"Mas os tempos que estamos vivendo agora para os argentinos são realmente dramáticos. Nunca tantos e tantas dormiram nas ruas, com problemas de trabalho ou chorando diante de uma conta luz ou gás que não tem como pagar", afirmou.

"E se olharmos para o Estado... a dívida externa contraída em três anos maior que a encarada por Néstor quando chegou ao cargo. Com o agravante de que quase 40% é com o Fundo Monetário", criticou ex-presidente.

Para o analista Rafael Gentili, do Laboratório de Políticas Públicas, a decisão de Cristina responde "à necessidade de ter um candidato que provoque menos resistência no segundo turno".

"Sua presença na chapa permite reter 100% da intenção de voto", disse ele à AFP.

A ex-presidente disse que, optando pela vice-presidência, abre mão "das ambições pessoais" em favor do "interesse geral".

O ex-chefe de gabinete é advogado e professor universitário de Direito, conhecido por ser um habilidoso jogador político.

Foi ele quem incentivou Cristina Kirchner a escrever seu livro de memórias 'Sinceramente', que acaba de se tornar o maior sucesso editorial argentino das últimas décadas, com uma tiragem de 300.000 cópias.

"Conheço Alberto há mais de 20 anos. Já o vi organizar, decidir e concordar. Tivemos diferenças", admitiu a ex-presidente nas redes sociais.

Alberto Fernández demitiu-se do cargo depois da prolongada greve de empregadores agrícolas em 2008.

dm/ap/rsr/mr/lca

Mais Internacional