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Bombardeios em reduto jihadista na Síria matam 23 civis

2019-05-22T19:22:00

22/05/2019 19h22

Maaret al-Numan, Síria, 22 Mai 2019 (AFP) - Pelo menos 23 civis morreram nesta quarta-feira (22) em ataques aéreos do regime de Bashar Al Assad contra o último reduto jihadista na Síria, na região noroeste do país, onde os combates já fizeram mais de 87 mortos em 24 horas.

A província de Idleb e partes das províncias vizinhas de Hama, Aleppo e Latakia, controladas por jihadistas do Hayat Tahrir Al Sham (HTS, ex-braço da Al-Qaeda), são palcos desde o final de abril de combates entre os extremistas e forças pró-regime, apoiadas pela Rússia.

Desde terça-feira à noite, os combates fizeram 87 mortos, segundo a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). Destes, 51 eram soldados do regime e 36 jihadistas.

Além disso, 23 civis morreram em ataques realizados durante a noite, incluindo 12 em um mercado na cidade de Maaret Al Numan.

O ataque teve como alvo um mercado da região e foi conduzido pelo regime de Damasco, de acordo com a ONG.

Segundo testemunhas, a zona estava cheia de gente, uma vez que muitos moradores estavam no mercado para o fim do jejum do Ramadã.

Um correspondente da AFP viu na manhã desta quarta-feira as vitrines das lojas danificadas e casas destruídas na área atacada.

"Muitas lojas foram destruídas e o chão estava cheio de pedaços de corpos e de cadáveres", declarou à AFP Khaled Ahmad, proprietário de uma loja.

"Os habitantes ainda têm medo", acrescentou. Pelo menos 18 pessoas ficaram feridas, e "vários estão numa situação crítica".

Os outros 11 civis morreram durante os bombardeios aéreos do regime em diversas zonas da área controlada pelos jihadistas. Cinco deles morreram durante um ataque contra a cidade de Saraqeb.

- Acordo ameaçado -A Rússia, aliada do regime de Bashar al-Assad, atua na Síria desde 2015 e participa desde abril nos ataques contra a província de Idleb e seus arredores, que não estão sob controle de Damasco.

A província, último reduto jihadista, foi objeto de um acordo entre Moscou e Ancara em uma "zona desmilitarizada" para evitar uma grande ofensiva.

Mas desde o fim de abril, as forças do regime sírio e da Rússia intensificaram os ataques aéreos contra alguns setores sob controle do HTS em Idleb e na província vizinha de Hama.

Ao menos 180 civis morreram desde 30 de abril em consequência dos confrontos, de acordo com o OSDH.

Nesta quarta, os combates eram travados no norte da província de Hama. Segundo o OSDH, o grupo jihadista tomou a maior parte da cidade de Kafr Nabuda.

Essa nova escalada de violência faz temer o fim do acordo russo-turco.

Na terça, o ministro turco da Defesa, Hulusi Akar, acusou o regime sírio de ameaçar o acordo de cessar-fogo.

"O regime faz tudo para mudar o status quo, inclusive utilizando barris de explosivos e conduzindo uma ofensiva terrestre e aérea", declarou Akar à imprensa.

- Ataque químico não confirmado -Na sexta-feira passada, a ONU soou o alarme sobre o risco de uma "catástrofe humanitária" em Idleb durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança.

Segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), mais de 200.000 pessoas fugiram dos combates na região.

O Escritório também denunciou que os ataques russos e sírios atingiram 20 centros médicos - dos quais 19 já estão fora de serviço -, além de 17 escolas e três campos de deslocados.

A região é o lar de mais de três milhões de pessoas que vivem em condições particularmente difíceis. Metade são deslocados que fugiram de outros redutos rebeldes recuperados nos últimos anos pelo regime.

"Apesar de nossas repetidas advertências, nossos piores temores estão se tornando realidade", disse o porta-voz do OCHA, David Swanson.

O governo sírio, com o apoio de Moscou e Teerã, recuperou nos últimos ano o controle sobre quase 60% do país.

Na terça-feira, os Estados Unidos relataram "indícios" de que Damasco havia conduzido um novo "ataque" químico dois dias antes no reduto jihadista, ameaçando com represálias.

O OSDH, porém, afirmou não ter "provas" de um suposto ataque com cloro.

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