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Confira quais são os países da UE favoráveis ao bloco continental

2019-05-23T08:54:00

23/05/2019 08h54

Madri, 23 Mai 2019 (AFP) - Espanha, Portugal, Irlanda... A onda de oposição ao bloco comunitário esperada nas eleições europeias não afeta todo o continente, e em vários países segue o apoio ao projeto comum.

A extrema direita, os conservadores e populistas de diversas correntes esperam ganhar campo neste pleito, realizado de 23 a 26 de maio nos 28 países da UE, para renovar a Eurocâmara.

Segundo o último Eurobarômetro, publicado pelo Parlamento Europeu, a proporção de cidadãos (61%) que consideram positivamente a adesão de seu país à UE alcança um nível recorde, inédito no bloco desde o início dos anos 1990.

- Identidade nacional, identidade europeia -Exemplo vivo é a Espanha, que envia à Eurocâmara o quinto maior contingente de deputados, onde se espera que a vitória seja dos socialistas e que registra 69% de apoio à participação do país no bloco.

Segundo pesquisa realizado pelo Real Instituto Elcano na França, Itália, Alemanha e Espanha, o sentimento de pertencimento à UE é mais acentuado entre os espanhóis.

"Na Espanha a integração europeia (em 1986) e o retorno à democracia (após o fim da ditadura franquista em 1975) são duas caras da mesma moeda", comenta José Ignacio Torreblanca, do instituto de análise europeu European Council on Foreign Relations (ECFR).

"A identidade nacional se configurou numa identidade europeia frente ao franquismo (...) por isso, os espanhóis estão bastante vacinados contra um nacionalismo antieuropeu", acrescenta.

Prova disso é que inclusive o programa do Vox, o partido de extrema-direita que entrou no Parlamento espanhol nas legislativas de abril, tem como lema: "acreditamos na Europa porque somos Europa".

"Na França se fala sobre os 30 gloriosos (anos) após a Segunda Guerra Mundial", mas aqui "nosso período de máximo bem-estar econômico, político e social (...) está associado à entrada na UE", destaca Torreblanca.

A adesão à UE ajudou a levar a Espanha à modernidade, cofinanciando por exemplo sua ampla rede de trens de alta velocidade, a mais extensa da Europa.

- Prosperidade -Portugal figura também numa boa posição (69%) entre os países mais pró-europeus, segundo o Eurobarômetro.

Entrou na UE em 1986, junto com o vizinho espanhol e igualmente após uma longa ditadura. Desde então "se beneficiou muito do projeto europeu" nos campos social, de transporte e educação, destaca o principal nome da lista socialista nestas eleições, Pedro Marques.

"Desde que há estatísticas, em 1995, a taxa de pobreza entre os adultos caiu pela metade. É impressionante e sem paralelo com a média europeia", destaca.

Como na Espanha, as pesquisas apontam a vitória para os socialistas portugueses, enquanto a direita populista deve ter resultados risíveis.

Entre os países que mais apoiam o bloco continental está também a Irlanda (com 83% de apoio, segundo o Eurobarômetro), que se beneficiou bastante desde sua adesão em 1973.

Segundo dados oficiais irlandeses, 42 bilhões de euros de fundos europeus foram injetados na ilha, criaram 700 mil empregos desde sua entrada na UE. O comércio exterior se multiplicou por 90.

Os principais partidos do país são pró-europeus, como o Fine Gael do primeiro- ministro Leo Varadkar, que se apresenta como "o partido da Europa".

Segundo Kathryn Simpson, cientista política na Manchester Metropolitan University, Reino Unido e Irlanda "não podem ser mais diferentes na relação com a UE".

E Dublin "sempre teve uma posição positiva e favorável à União Europeia".

A Irlanda estará na linha de frente das consequências econômicas do Brexit, apesar de vir a contar com apoio de seus parceiros.

Nos países bálticos, ex-repúblicas soviéticas integradas na UE em 2004, e que desde então adotaram a moeda única, a UE tem sido também sinônimo de prosperidade, graças ao acesso ao mercado comum e aos fundos europeus. Além disso, o bloco garante segurança perante o vizinho russo.

Inclusive na Estônia, onde um partido de extrema-direita contrário ao bloco continental integra a coalizão no poder, a porcentagem de opiniões positivas em relação à UE é de 74%, segundo o Eurobarômetro.

O mesmo acontece na Lituânia (71%) e Letônia (54%), onde nenhuma força de oposição à UE tem força nestas eleições.

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