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Holanda e Reino Unido iniciam eleições para o Parlamento Europeu

2019-05-23T07:03:00

23/05/2019 07h03

Londres, 23 Mai 2019 (AFP) - Britânicos e holandeses se tornaram nesta quinta-feira nos primeiros a votar para escolher seus eurodeputados, dando início a quatro dias de votações na União Europeia (UE), em um processo no qual os eurocéticos aspiram conquistar boa parte das cadeiras.

Os centros de votação na Holanda foram os primeiros a abrir em todo o bloco, 30 minutos antes das zonas eleitorais britânicas.

A maioria dos eleitores votará no domingo. Tchecos e irlandeses comparecerão às urnas na sexta-feira, enquanto no sábado será a vez de letões, malteses e eslovacos.

Mais de 400 milhões de eleitores em 28 países estão registrados para comparecer às urnas e escolher 751 representantes, para um mandato de cinco anos que começará em julho e que deve ser marcado por uma ambiciosa reforma para a maior integração política do bloco.

As pesquisas, no entanto, apontam um avanço dos movimentos nacionalistas e populistas, que são contrários à maior integração europeia, e a perda de espaço dos dois grandes grupos na Eurocâmara: o Partido Popular Europeu (PPE, direita) e o Partido Socialista Europeu (PSE).

As sondagens mais recentes mostram que na França o partido de Marine Le Pen (extrema-direita) supera o do presidente Emmanuel Macron. Na Alemanha, os institutos apontam a vitória dos conservadores da chanceler Angela Merkel (CDU), enquanto a a Liga de Matteo Salvini lidera na Itália com um discurso anti-UE.

O esperado aumento do apoio aos eurocéticos, porém, não deve ser registrado em todo o bloco: da Espanha à Irlanda, passando pelos países bálticos, os eleitores devem mostrar um sólido apego à integração europeia.

- Brexit no centro do debate -Estas são as nonas eleições ao Parlamento Europeu desde a primeira votação em 1979. A participação é menor a cada pleito e o índice foi de apenas 43% em 2014.

O número de vagas na Eurocâmara é determinado pela população de cada país: a Holanda tem 26 e o Reino Unido 73.

Neste último país, há alguns meses ninguém imaginava participar em eleições ao Parlamento Europeu quase três anos após a decisão de abandonar o bloco em um referendo.

O Reino Unido deveria ter deixado a UE em 29 de março, mas a rejeição do Parlamento ao acordo assinado pela primeira-ministra Theresa May com Bruxelas forçou um adiamento do processo até 31 de outubro com prazo máximo.

A campanha foi completamente dominada pelo Brexit: para os pró-europeus se tornou um modo de expressar oposição ao movimento eurocético; para os eurofóbicos a melhor maneira de demonstrar sua força.

May segue determinada a não enviar os eurodeputados britânicos a Estrasburgo no início da legislatura da nova Eurocâmara, em julho. Mas para isto ela precisaria que o Parlamento de Westminster aceitasse sua nova proposta sobre o Tratado de Retirada e esta, longe de apoiar a chefe de Governo, parece mais determinada a precipitar sua renúncia.

Uma pesquisa do instituto YouGov mostra a liderança nas intenções de voto ao novo Partido do Brexit (37%), liderado pelo controverso Nigel Farage, que há cinco anos foi o grande vencedor das eleições continentais no Reino Unido com o antieuropeu UKIP.

Atrás do Partido do Brexit, bem distante, aparecem o centrista Partido Liberal-Democrata (19%) e o Partido Trabalhista (13%). O Partido Conservador de May seria relegado a uma humilhante quinta posição, com 7% das intenções de voto, atrás dos Verdes.

Na Holanda, as pesquisas registraram a liderança de outro partido eurocético, o Foro pela Democracia (FvD), anti-imigração e que contesta o aquecimento global. Seu líder, Thierry Baudet, de 36 anos, defende uma "Europa boreal" com as fronteiras fechadas aos imigrantes.

O principal rival do FvD é o partido liberal VVD do primeiro-ministro Mark Rutte que, segundo as projeções mais recentes, pode conseguir a eleição de 3 a 5 eurodeputados.

Os resultados serão divulgados oficialmente apenas a partir de domingo à noite, após o final da votação em todos os países da UE - a maioria vota justamente neste dia.

O último país a concluir a votação será a Itália às 21h00 GMT (18H00 de Brasília) de domingo.

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