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Libertados militares que fuzilaram carro de família, matando duas pessoas

23/05/2019 21h00

Brasília, 24 Mai 2019 (AFP) - O Superior Tribunal Militar (STM) concedeu nesta quinta-feira liberdade a nove dos 12 soldados que em abril fuzilaram um carro em que estava uma família, matando o motorista e uma pessoa que passava pelo local tentou ajudar as vítimas, no Rio de Janeiro.

Os militares, que segundo a investigação efetuaram mais de 200 disparos ao interceptar o veículo, responderão em liberdade durante o processo por homicídio e omissão de socorro, segundo decisão de 10 dos 15 juízes do tribunal.

O músico e segurança Evaldo dos Santos Rosa, de 51 anos, passava com a família pelo bairro de Guadalupe, na zona norte do Rio, no perímetro de segurança de uma área militar. Era uma trade de domingo e estavam indo a um chá de bebê. O carro foi atingido por mais de 80 tiros e o músico morreu imediatamente. O sogro de Evaldo ficou ferido, mas a esposa, o filho de 7 anos e uma adolescente de 13, escaparam ilesos.

O catador de materiais recicláveis Luciano Macedo, que passava pelo local e tentou ajudar a família, também foi baleado e morreu dias depois.

De acordo com o Exército, tropas realizavam um "ronda regular".

Uma perícia inicial indicou que os soldados podem ter confundido o carro familiar -onde não foi encontrada nenhuma arma- com outro veículo, de supostos assaltantes.

A viúva de Santos Rosa declarou que depois do primeiro tiro pediu ajuda os soldados, mas eles continuaram disparando.

Militares têm participado nos últimos anos de operações contra a criminalidade no Rio, estando inclusive à frente da segurança do estado de fevereiro até dezembro de 2018.

Uma lei aprovada em 2017 determinou que as mortes de civis ocorridas no contexto de atividades militares devem ser julgadas pela Justiça Militar.

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