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Nacionalistas de Modi se aproximam de grande vitória na Índia

23/05/2019 14h47

Nova Délhi, 23 Mai 2019 (AFP) - O partido nacionalista hindu Bharatiya Janata Party (BJP), do primeiro-ministro Narendra Modi, reivindicou nesta quinta-feira (23) a vitória nas eleições legislativas da Índia, depois que as primeiras tendências da apuração apontaram um triunfo esmagador.

"Índia vence de novo", escreveu Modi, que aspira a um segundo mandato, no Twitter, enquanto Amit Shah, líder do BJP e braço direito do primeiro-ministro, afirmou que "esta grande vitória é a vitória da fé do povo".

Hoje, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, felicitou o premiê indiano por sua "grande vitória" eleitoral.

"Grandes coisas esperam pela associação EUA-Índia com o retorno do primeiro-ministro Modi ao comando. Estou ansioso para continuar nosso importante trabalho conjunto", tuitou Trump.

Por volta das 17h30 locais (9h em Brasília), após o início da apuração dos quase 600 milhões de votos, o BJP de Modi liderava em 303 circunscrições, o que representaria o mesmo número de cadeiras na Câmara dos Deputados, que tem 545 representantes.

Se a vitória for confirmada nestas circunscrições, Modi conseguiria uma esmagadora maioria, muito além das 272 de que precisava para dispor de maioria absoluta, uma situação incomum na história política da Índia, país mais habituado a amplas coalizões.

Antes da proclamação definitiva dos resultados, os nacionalistas hindus já celebravam a vitória.

"Obrigado, Índia! A fé posta em nossa aliança nos impulsiona com humildade e nos dá força para trabalhar ainda mais duro para realizar as aspirações do povo", assegurou Narendra Modi no Twitter, onde conta com 47 milhões de seguidores.

A maior força de oposição, o Partido do Congresso de Rahul Gandhi, liderava em apenas 50 circunscrições, um resultado decepcionante para esta legenda-chave na vida política do país desde sua independência em 1947.

Os resultados dariam ao BJP e seus aliados - que segundo as projeções devem obter 50 cadeiras - a maioria consistente de 350 deputados.

- Nação hinduOs militantes nacionalistas hindus festejavam a vitória, lançando morteiros e dançando ao ritmo de tambores.

"Modi devolverá a grandeza à Índia", disse à AFP Santosh Joshi, um simpatizante do BJP, referindo-se ao slogan do presidente americano, Donald Trump, "Make America Great Again".

Para ele, "Modi é o primeiro-ministro mais forte que a Índia já teve e que nunca mais terá".

Já os militantes da força opositora deixaram deserta a sede do Partido do Congresso à medida que sua derrota era confirmada.

"Modi não parou de mentir e enganou o país e seus apoios", lamentou Dinesh Kushik, partidário da sigla.

A bolsa de Mumbai recebeu bem os dados provisórios, atingindo máximos históricos.

Mais de 67% dos 900 milhões de eleitores indianos compareceram às urnas entre 11 de abril e 19 de maio.

As eleições bateram todos os recordes em termos de tamanho e complexidade. A logística do processo custou aproximadamente 7 bilhões de dólares, e todos os votos devem ser contados em apenas um dia.

As regiões vitais para a vitória de Modi em 2014 foram os estados mais populosos, como Uttar Pradesh e Bengala Ocidental.

- Insultos e notícias falsas -A Índia, um país enorme que vai do Himalaia até regiões tropicais, ao sul, inclui megacidades poluídas, desertos e selvas, o que exigiu uma eleição celebrada em seis semanas.

A campanha foi repleta de insultos (Modi chegou a ser comparado a Hitler e com um "inseto"), assim como de notícias falsas espalhadas por redes sociais, em particular Facebook e WhatsApp.

Ghandi, de 48 anos, tentou diversas linhas de ataque contra Modi, em particular pelos supostos casos de corrupção e queixas dos agricultores pelo fraco desempenho da economia.

O índice de desemprego se aproxima do ponto máximo em quatro décadas e para os milhões de indianos que entram no mercado de trabalho a cada ano.

Os investimentos estrangeiros aumentaram, porém, de modo tímido.

O premiê é visto como uma personalidade divisiva. Os casos de linchamentos de muçulmanos e de membros da castas Dalit aumentaram, o que gerou preocupação entre os 170 milhões de muçulmanos que vivem no país.

Modi, de 68, conseguiu transformar as eleições em uma espécie de plebiscito sobre sua figura e gestão. Ele não hesitou em falar de si mesmo (na terceira pessoa) como o único que tem capacidade para defender a Índia.

Em 14 de fevereiro, um atentado matou 40 soldados na disputada região da Caxemira, um ataque reivindicado por um grupo baseado no vizinho Paquistão.

Modi ordenou ataques aéreos limitados ao território paquistanês - de eficácia questionada - e se apresentou como o "guardião" da Índia.

"Cada gota de sangue dos nossos soldados mortos será vingada", declarou durante a campanha.

"Modi levou o programa nacionalista hindu a cada lar. Declarou que o país estava em perigo por causa do Paquistão, e as pessoas acreditaram", afirmou à AFP Hemant Kumar Malviya, professor de Ciência Política da Universidade de Varanasi.

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