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Novos bombardeios do regime sírio matam oito civis em reduto extremista

2019-05-23T13:13:00

23/05/2019 13h13

Beirute, 23 Mai 2019 (AFP) - Pelo menos oito civis foram mortos nesta quinta-feira (23) em ataques aéreos realizados pelo governo Bashar al-Assad no último reduto extremista no noroeste da Síria, onde os combates prosseguiam entre grupos radicais islâmicos e as forças pró-governo - informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

A província de Idlib e áreas nas províncias vizinhas de Hama, Aleppo e Latákia, controladas pelo grupo Sham Hayat Al Tahrir (HTS), ex-facção síria da Al-Qaeda, são palcos desde o final de abril de combates violentos.

Os bombardeios realizados pelo Exército sírio provocaram nesta quinta-feira a morte de pelo menos oito civis, segundo o OSDH.

De acordo com esta ONG, 23 civis foram mortos ontem nos bombardeios realizados pelas forças favoráveis a Assad e, deste total, 12 morreram na explosão ocorrida em um mercado lotado.

Na localidade de Kafr Aweid, na província de Idlib, os ataques aéreos destruíram nesta quinta a fachada de vários prédios, e os escombros se acumulavam em seu interior, constatou um fotógrafo da AFP.

Duas meninas morreram nesses ataques, de acordo com o OSDH.

Em um dos locais bombardeados, o fotógrafo da AFP viu uma criança correndo em lágrimas e com manchas de sangue nos pés.

Nesta quinta, as forças do governo sírio enfrentavam pelo terceiro dia consecutivo os combatentes do HTS na província de Hama, onde grupos jihadistas lançaram uma contraofensiva na cidade de Kafr Nabuda. Pelo menos 17 combatentes foram mortos, incluindo 11 jihadistas, de acordo com o OSDH.

No total, mais de 100 combatentes morreram desde terça-feira nesses confrontos na região de Kafr Nabuda, disse a mesma fonte.

As forças do regime sírio recuperaram a cidade de Kafr Nabuda em 8 de maio, mas, na quarta-feira, os extremistas conquistaram novamente uma grande parte dessa localidade.

Idlib e seus arredores foram incluídos em um acordo concluído em setembro de 2018 entre a Rússia e a Turquia para o estabelecimento de uma "zona desmilitarizada". O objetivo era evitar uma grande ofensiva.

Desde o final de abril, porém, as forças de Damasco e da Rússia, que apoia Assad, intensificaram seus ataques aéreos em várias cidades no sul de Idlib e no norte de Hama.

Na sexta-feira passada, a ONU alertou para o risco de uma "catástrofe humanitária" em Idlib durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança.

Desde o final de abril, mais de 200 mil pessoas fugiram dos combates no noroeste do país, de acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha).

Na Síria, a guerra iniciada em 2011 deixou mais de 370.000 mortos e levou ao deslocamento de milhões de pessoas.

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