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Impeachment de Trump agora seria prematuro, diz líder democrata

24/05/2019 00h21

Washington, 24 Mai 2019 (AFP) - A presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, afirmou nesta quinta-feira (23) que está cedo para iniciar um processo de impeachment do presidente Donald Trump, uma iniciativa que ela considera "muito divisiva".

Pelosi disse que Trump está "decepcionado" de que a oposição não tenha tomado o caminho do impeachment, já que essa iniciativa poderia fortalecer suas tentativas de reeleição.

"Podemos entregar os fatos ao povo americano por meio de nossa investigação", disse Pelosi à imprensa, referindo-se à apuração iniciada pelo Legislativo sobre Trump.

"Pode nos levar a um momento em que o impeachment seja inevitável, ou não, mas não estamos nesse momento", acrescentou.

"Acho que um impeachment seria, sem dúvida, uma fonte de grandes divisões para o nosso país", acrescentou.

Segundo Pelosi, "a Casa Branca está pedindo o impeachment aos gritos".

Horas após as declarações da líder democrata, Trump disse na Casa Branca que "ela perdeu a cabeça".

"Quando vejo como Nancy se agita, seus movimentos, suas mãos e sua loucura (...), observo uma pessoa com problemas".

Trump lembrou que os democratas inventam investigações parlamentares contra ele por razões políticas antes das eleições presidenciais e legislativas de 2020.

"Tentam denegrir o partido republicano e denegrir o presidente" para nos derrubar nas pesquisas, disse Trump ao anunciar um crédito de bilhões de dólares para agricultores americanos afetados pela guerra comercial.

Mais tarde, Trump ordenou aos organismos de Inteligência que "cooperem completamente" com a investigação sobre o que ele considerada "espionagem" de sua campanha eleitoral de 2016 para determinar se houve conluio com a Rússia.

A tensão entre Trump e os democratas aumentou depois que o presidente anunciou, ontem, que não haverá mais cooperação em projetos como o plano de infraestrutura, por exemplo, até que os democratas ponham fim às suas "investigações falsas" contra ele.

Pouco antes, Pelosi o havia acusado publicamente de estar "envolvido em uma operação de encobrimento" sobre a investigação sobre a intromissão russa nas eleições de 2016.

Desde então, Trump lançou vários ataques pelo Twitter, acusando os democratas de "perseguição" e de serem o "partido que não faz nada".

Pelosi teme que a abertura de um processo de impeachment prejudique os democratas nas urnas em 2020. A líder democrata acredita que a guerra política de Washington, que já cansa os eleitores, ofuscará as mensagens de campanha sobre os temas que realmente preocupam a população.

- Com raiva, mas não furioso -Na quarta-feira, Trump encerrou abruptamente uma reunião da Casa Branca com os líderes democratas Nancy Pelosi e Chuck Schumer.

Após o mal-estar, foi convocada uma coletiva de imprensa em que ele se mostrou furioso. Depois disso, ele disparou vários tuítes acusando os democratas de "assediá-lo" com várias consultas parlamentares e de serem parte de um "partido que não faz nada".

Pelosi chamou a raiva de "birra".

Nesta quinta, Trump negou essa atribuição a seu comportamento em um tuíte. "Ontem estive extremamente tranquilo sobre minha reunião com Pelosi e Schumer, sabendo que eles diriam que ele estava furioso, junto com seus companheiros, os veículos de notícias falsas", escreveu.

"Bom, de toda forma, muitas matérias sobre a reunião usam a versão da ira. Imprensa falsa e corrupta!".

A assessora principal de Trump, Kellyanne Conway, disse à Fox News que "na realidade (Trump) nunca levantou a voz".

Os democratas "o arruinaram uma hora antes", disse Conway, "ao dizer que ele está envolvido em um encobrimento, para depois vir aqui e fingir que está bem e que vamos falar de infraestrutura".

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