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Primeira-ministra britânica renuncia e deixará o cargo em junho

2019-05-24T17:41:00

24/05/2019 17h41

Londres, 24 Mai 2019 (AFP) - A primeira-ministra britânica, Theresa May, anunciou nesta sexta-feira (24) que deixará o cargo em 7 de junho para que o Partido Conservador possa escolher um novo líder, que será responsável por concretizar o Brexit, algo que ela não conseguiu fazer.

"Tentei três vezes, mas não tive capacidade de fazer o Parlamento aprovar o acordo de saída da União Europeia", afirmou, à beira das lágrimas, diante das câmeras de televisão na residência oficial em Londres, o número 10 de Downing Street.

"Acredito que era correto perseverar, inclusive quando as possibilidades de fracassar pareciam elevadas, mas agora me parece claro que é do melhor interesse do país que um novo primeiro-ministro lidere este esforço", afirmou em um discurso para a imprensa, visivelmente emocionada.

"Foi a honra da minha vida ter sido a segunda mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra (após Margaret Thatcher)", acrescentou.

Sua voz falhou quando ela terminou sua breve declaração proclamando o "amor" por seu país, tentando, sem sucesso, esconder a emoção que tomou conta dela quando se virou para voltar ao seu gabinete.

May continuará no cargo para receber o presidente dos Estados Unidos, que realizará uma visita de Estado ao Reino Unido de 3 a 5 de junho.

Donald Trump, disse se sentir "mal" pelo fracasso de May, embora no passado tenha criticado a forma como o Brexit era negociado.

O mandato de Theresa May, cheio de adversidades, críticas e até mesmo conspiração dentro de seu próprio partido, entrará para a História como um dos mais curtos na Grã-Bretanha desde a Segunda Guerra Mundial.

Ela "avaliou politicamente mal o humor do seu país e de seu partido", considerou no Twitter Nigel Farange, líder do Partido do Brexit.

A Comissão Europeia ressaltou, por sua vez, que a saída de May "não mudará nada" na posição dos 27 sobre o acordo de saída.

- "Incapaz de governar" -Antes de assumir o cargo, seu sucessor terá que ser eleito para o cargo de líder do Partido Conservador. Ele será nomeado até 20 de julho, informou o partido.

O ex-ministro das Relações Exteriores Boris Johnson, líder do 'Brexiters', está entre os favoritos para substituí-la.

Theresa May assumiu o Executivo em julho de 2016, pouco depois de os britânicos votarem 52% a favor do Brexit no referendo de 23 de junho de 2016, sucedendo David Cameron.

Mas esta filha de um pastor de 62 anos, ex-ministra do Interior, não conseguiu convencer uma classe política profundamente dividida sobre a saída da UE.

O acordo de divórcio, que ela negociou amargamente com Bruxelas, foi rejeitado três vezes pelos deputados, forçando o Executivo a adiar o Brexit até 31 de outubro, quando estava planejado para o dia 29 de março, e organizar eleições europeias.

A votação europeia, realizada na quinta-feira no Reino Unido, anuncia-se calamitosa para os tories, que deverão amargar um humilhante quinto lugar (7%), 30 pontos atrás do Partido do Brexit do eurofóbico Nigel Farage, segundo pesquisa YouGov.

Ao comentar a renúncia de May, a porta-voz do governo espanhol, Isabel Celaa, ressaltou que "um Brexit duro parece uma realizada quase impossível de evitar".

Boris Johnson, por sua vez, pediu "união" para "implementar o Brexit".

Theresa May, "incapaz de governar, teve razão em renunciar", considerou o líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, antes de afirmar que seu sucessor deverá convocar novas eleições para tirar o país do impasse.

O presidente francês, Emmanuel Macron, elogiou o "trabalho corajoso" de May e pediu "um esclarecimento rápido" sobre o Brexit.

Já a chanceler alemã Angela Merkel disse "respeitar" a decisão da primeira-ministra, mas se recusou a se pronunciar sobre as consequências ligadas ao Brexit.

- Impasse -Na terça-feira, Theresa May apresentou um plano de "última chance" para tentar recuperar o controle do processo de Brexit.

Em vão: o texto foi mais uma vez alvo de críticas, tanto da parte da oposição trabalhista quanto pelos eurocéticos do seu partido, resultando assim na renúncia, na quarta-feira, de sua ministra das Relações com o Parlamento, Andrea Leadsom.

O projeto de lei, que Theresa May deveria fazer votar na semana de 3 de junho, não foi incluído no programa legislativo anunciado ontem pelo governo aos deputados.

O plano previa uma série de compromissos, incluindo a possibilidade de votar num segundo referendo e a continuação de uma união aduaneira temporária com a UE, numa tentativa de reunir a maioria dos deputados.

Mas, deixando de lado algumas promessas feitas no início do processo, Theresa May enfureceu os eurocéticos do seu campo, enquanto a saída de Andrea Leadson acabou de vez com a autoridade de May, que viu o abandono de quase 30 membros de seu governo ao longo dos meses.

A tarefa de desfazer mais de 40 anos de laços com a UE não era fácil, ressalta Simon Usherwood, cientista político da Universidade de Surrey, entrevistado pela AFP.

"Qualquer pessoa em sua posição teria encontrado grandes dificuldades", acrescenta. "A História não guardará uma imagem favorável dela", considerou, apesar de tudo.

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