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Justiça alemã suspeita que assassinato de autoridade pró-imigração teve motivação política

2019-06-17T09:55:00

17/06/2019 09h55

Berlim, 17 Jun 2019 (AFP) - A Promotoria Federal alemã, responsável por casos de terrorismo, assumiu nesta segunda-feira a investigação do assassinato de um político pró-imigração, crime pelo qual foi preso um homem de extrema-direita.

"Assumimos a investigação" do assassinato de Walter Lübcke, disse, sem mais explicações, um porta-voz da Promotoria Federal de Karlsruhe, especializada em casos de terrorismo e crime organizado.

No fim de semana, um homem de 45 anos foi preso no âmbito da investigação sobre a morte a tiros no início de junho deste presidente do conselho regional de Kassel (centro), membro do partido de centro-direita da chanceler Angela Merkel.

A detenção foi realizada com base numa análise de DNA.

Lübcke, de 65 anos, foi encontrado morto no dia 2 de junho no terraço de sua casa em Wolfhagen, subúrbio de Kassel. Ele recebeu um tiro a curta distância e estava deitado em uma poça de sangue, segundo a polícia.

Em outubro de 2015, após a decisão de Angela Merkel de abrir as fronteiras a várias centenas de milhares de iraquianos e sírios, ele defendeu os direitos dos refugiados, provocando a ira da extrema direita.

"Devemos defender nossos valores. E qualquer um que não represente esses valores pode deixar o país a qualquer momento se não estiver de acordo, é a liberdade de cada alemão", disse ele em uma reunião pública.

- Sem precedentes desde os anos 80 -Segundo vários meios de comunicação alemães, o suspeito "é da extrema direita".

Em 2009, ele foi preso junto com 400 outros militantes neonazistas por atacar uma manifestação da Federação dos Sindicatos Alemães (DBG) em Dortmund, informou a Der Spiegel em seu site. Ele foi condenado a 7 meses de prisão.

Segundo o semanário, teve outros problemas com a polícia, por envolvimento em atos de violência e posse de armas.

Se a motivação política for confirmada, seria o primeiro assassinato dessa natureza desde os ataques da Fração do Exército Vermelho. Em 1981, o grupo de extrema-esquerda assassinou um ministro regional da Economia, membro do partido liberal FDP.

Seria também o primeiro homicídio na Alemanha de um político eleito motivado por ideias da extrema-direita desde a Segunda Guerra Mundial.

No Reino Unido, uma deputada trabalhista foi morta a facadas em 2016 por um simpatizante da extrema-direita.

Várias partidos solicitaram nesta segunda-feira a convocação de uma sessão especial do Parlamento para saber se a extrema direita está relacionada ao assassinato.

Durante 10 anos, Lübcke liderou uma autoridade administrativa entre o estado de Hesse e os seus municípios. Também foi membro do Parlamento de Hesse.

As homenagens e artigos dedicados à sua morte provocaram uma avalanche de comentários nas redes sociais, muitos deles comemorando o assassinato.

Um internauta comemorou a morte "deste traidor", enquanto outro advertiu: "é isso que vai acontecer com Merkel e os outros".

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