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Prisão perpétua para 151 acusados por tentativa de golpe na Turquia em 2016

2019-06-20T13:29:00

20/06/2019 13h29

Sincan, Turquia, 20 Jun 2019 (AFP) - Um tribunal turco condenou nesta quinta-feira à prisão perpétua 151 pessoas, em um dos maiores julgamentos realizados por ocasião da tentativa de golpe de Estado de 2016.

O tribunal de Sincan, na província de Ancara, condenou à prisão perpétua agravada 128 pessoas, o que implica em condições de encarceramento especialmente duras, e à prisão perpétua outras 23 pessoas, por "tentativa de derrubada da ordem constitucional", assassinato e tentativa de assassinato, informou a agência privada DHA.

Por outro lado, 32 pessoas foram liberadas e 27 receberam sentenças que chegam a 20 anos de prisão por "pertencerem a uma organização terrorista", segundo a mesma fonte.

Um total de 224 pessoas, entre elas 20 generais, foram julgadas, em um dos maiores julgamentos relacionados à tentativa de golpe de Estado de 2016. Deste total, 176 encontravam-se em prisão provisória, 35 em liberdade e 13, foragidas.

O ex-chefe da Força Aérea Akin Öztürk e o ajudante de Erdogan no momento do golpe, Ali Yazici, integram a lista de condenados à prisão perpétua, informou a DHA.

A tentativa de golpe aconteceu na noite de 15 para 16 de julho de 2016 e deixou quase 250 mortos, sem contar os golpistas, e milhares de feridos.

O ministro da Justiça, Abdülhamit Gül, comemorou as condenações, que, segundo ele, mostram "a exemplaridade" do sistema judicial de seu país.

A audiência foi realizada na prisão de Sincan, onde uma grande sala foi montada para abrigar os julgamentos.

- 'Vergonha' -Uma centena de pessoas se encontravam reunidas em um ambiente tenso diante do tribunal, fortemente custodiado. Enquanto o juiz anunciava as sentenças, os policiais tentavam manter a calma entre a multidão do lado de fora, onde eram registradas brigas. Um agente atirou várias vezes para o alto para acalmar os ânimos.

Durante a abertura do processo, em maio de 2017, famílias de vítimas da tentativa de golpe se reuniram diante do tribunal para exigir o restabelecimento da pena de morte, abolida como parte da candidatura turca à União Europeia. O presidente Erdogan ainda não tomou nenhuma decisão neste sentido.

Ancara atribui a tentativa de derrubar Erdogan a seu ex-aliado e pregador Fethullah Gülen, instalado nos Estados Unidos há 20 anos e que nega envolvimento no episódio.

As prisões e julgamentos realizados após a tentativa de golpe são de uma dimensão sem precedentes na Turquia. Mais de 50 mil pessoas, incluindo militares, magistrados e professores, foram presas desde o 15 de Julho.

Até o momento, e sem contar as sentenças de hoje, 3.239 pessoas foram condenadas após 261 julgamentos relacionados ao golpe fracassado. Vinte e oito processos estão em andamento, segundo o Ministério da Justiça turco.

Segundo a ata de acusação, citada pela imprensa turca, mais de 8 mil militares participaram da tentativa de golpe, durante a qual os golpistas usaram 35 aviões de combate, 37 helicópteros, 74 tanques, 246 veículos blindados e cerca de 4 mil armas.

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