Topo

Relações entre EUA e Irã desde a chegada de Donald Trump ao poder

24/06/2019 20h08

Washington, 24 Jun 2019 (AFP) - As relações entre Teerã e Washington se deterioraram após Donald Trump assumir a presidência dos Estados Unidos, que em 2018 retirou o país do acordo internacional sobre o desenvolvimento nuclear iraniano e restabeleceu uma série de sanções econômicas contra a república islâmica.

- "Isolar" o Irã -Num discurso em Riad em 21 de maio de 2017, Trump falou sobre "isolar" o Irã.

"Do Líbano ao Iraque, passando pelo Iêmen, o Irã financia, arma e treina, milícias e outros grupos terroristas que propagam a destruição e o caos na região", declarou.

"O governo iraniano transformou um país rico, com uma grande história e cultura, num Estado pária reduzido economicamente", afirma em 19 de setembro na Assembleia Geral da ONU.

- Trump fecha a porta -No dia 8 de maio de 2018, Trump anuncia a saída dos Estados Unidos do acordo nuclear e o restabelecimento de sanções econômicas contra o Irã.

Firmado em Viena em 2015 entre Irã, Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido, França e Alemanha, o acordo permitiu o levantamento parcial de sanções contra Teerã em troca do compromisso de não desenvolver armas nucleares.

Numa primeira série de sanções contra o Irã, em 7 de agosto os Estados Unidos bloquearam transações financeiras e importações de matérias primas, e também penaliza as compras de automóveis e aviões comerciais.

No dia 5 de novembro, entram em vigor sanções contra os setores petroleiro e financeiro iranianos.

- "Terrorismo" -Em 8 de abril de 2019, Washington inclui os Guardiães da Revolução, o exército ideológico do regime iraniano, em sua lista negra de "organizações terroristas estrangeiras". A força Qods, o corpo de elite dos Guardiães, também é incluída nessa lista.

O Irã acusa os Estados Unidos de serem um "Estado que apadrinha o terrorismo" e as forças americanas estacionadas no Oriente Médio, no Chifre da África e na Ásia Central de "grupos terroristas".

- Fim das excepções -No dia 22 de abril, Trump decide encerrar, a partir de maio, as exceções que permitiam a oito países (China, Índia, Turquia, Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Itália e Grécia) comprar petróleo iraniano sem romper as sanções dos EUA.

No dia 8 de maio, o Irã decidiu não mais limitar suas reservas de água pesada e urânio enriquecido, desafiando compromissos estabelecidos dentro do acordo nuclear.

Trump impõe novas sanções contra os setores do ferro, aço, alumínio e cobre iranianos.

Teerã dá 60 dias aos Estados que são integrantes do acordo a ajudá-lo a contornar as sanções americanas. Caso isso não ocorra, afirma que vai deixar de lado outras duas de suas obrigações.

- Drone americano derrubado -Em 12 de maio, quatro navios, entre eles três petroleiros, sofrem "atos de sabotagem" nas águas territoriais de Emirados Árabes Unidos. Washington e Riad responsabilizam o Irã.

Estados Unidos reforçam desde o início de maio sua presença militar no Oriente Médio, acusando o Irã de preparar ataques "iminentes" contra seus interesses na região.

Em 13 de junho, dois petroleiros, um deles japonês, são atacados no mar de Omã. Washington, Londres e Riad acusam o Irã, que nega qualquer envolvimento.

Uma semana depois (no dia 20), os Guardiães da Revolução anunciam ter derrubado um drone americano que havia "violado o espaço aéreo iraniano". O Pentágono afirma que o aparelho estava a 34 km das costas iranianas no momento do ataque e que não havia violado o espaço aéreo iraniano "em nenhum momento". Trump classifica como um "enorme erro" a ação de Teerã.

No dia seguinte, o presidente americano afirma ter anulado no último minuto ataques contra o Irã para evitar um saldo dramático de perda de vidas, mas não abandona suas ameaças de adotar represálias.

- Sanções contra o líder supremo iraniano -No dia 24, Trump assina um decreto que impõe sanções contra o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, uma medida que taxou como "forte e proporcional em resposta às ações provocadoras do Irã".

O Tesouro americano anunciou o bloqueio de "bilhões de dólares" em ativos iranianos, assim como a inclusão na sua lista negra do ministro de Exteriores, Mohamed Javad Zarif.

acm/alc/elm/rsr/dga/lca

Mais Internacional