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EUA inauguram conferência defendendo plano econômico para Oriente Médio

2019-06-25T16:00:00

25/06/2019 16h00

Manama, 25 Jun 2019 (AFP) - O conselheiro da Casa Branca, Jared Kushner, inaugurou nesta terça-feira a conferência batizada de "Da paz à prosperidade", que é o capítulo econômico de um plano de resolução do conflito israelense-palestino, cuja apresentação foi adiada várias vezes.

Em seu discurso de abertura, o genro do presidente Donald Trump afirmou que seu plano econômico para Oriente Médio é "a oportunidade do século" para os palestinos, mas que sua aceitação é uma "condição prévia para a paz".

"Os Estados Unidos não abandonaram vocês", disse Kushner, dirigindo-se aos palestinos ao inaugurar a reunião de dois dias no Bahrein que foi boicoteada pela Autoridade Palestina.

"Aceitar um caminho econômico é um condição prévia para resolver as questões políticas sem solução até o momento", afirmou Kushner.

Os palestinos consideram a abordagem econômica totalmente inoportuna sem uma solução das questões políticas.

Para isso, os palestinos pedem o fim da ocupação israelense para formar um Estado independente.

Embora as questões políticas não devam ser abordadas durante os dois dias de trabalho em Manama, Kushner reconheceu que deveriam ser tratadas posteriormente. "Devemos ser claros: o crescimento econômico e a prosperidade para o povo palestino não podem ser alcançados sem uma solução política justa e duradoura que garanta a segurança de Israel e respeite a dignidade do povo palestino", destacou.

Ele disse ainda aos palestinos que eles estavam em desvantagem em acordos de paz anteriores.

"Minha mensagem direta ao povo palestino é que, apesar do que aqueles que o abandonaram no passado disseram, o presidente Trump e os Estados Unidos não o abandonaram", insistiu.

O encontro começará com um jantar em um hotel de luxo no Bahrein que, juntamente com outros países árabes do Golfo Árabe, pede a formação de uma frente comum com Israel por causa de sua hostilidade compartilhada em relação ao Irã.

O governo americano espera levantar mais de 50 bilhões de dólares em projetos de infraestrutura, educação, turismo e comércio para os palestinos.

Os convidados incluem ministros das finanças dos países árabes do Golfo, o secretário do Tesouro americano Steven Manuchin e a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) Christine Lagarde.

A Autoridade Palestina decidiu boicotar a reunião e seu primeiro-ministro, Mohamed Shtayeh, criticou a ausência de uma menção ao fim da ocupação israelense.

Centenas de palestinos protestaram na segunda-feira na Cisjordânia ocupada contra a conferência do Bahrein. Perto de Hebron, alguns deles sentaram-se em torno de um caixão com a inscrição "Não ao acordo do século", uma expressão pejorativa que faz referência às propostas de paz de Donald Trump.

A administração americana diz que pretende aplicar uma nova abordagem para acabar com o conflito, com um plano que pode ser revelado em novembro, depois das legislativas em Israel.

Segundo autoridades americanas, o plano não mencionará a solução de "dois Estados", um israelense e outro palestino.

Israel, que estará presente no Bahrein, criticou a liderança palestina. "Eu não entendo como os palestinos rejeitaram o plano antes mesmo de saber o que ele contém", disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu nesta terça-feira aos membros das Nações Unidas que continuem financiando a Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina (UNRWA), na abertura de outra conferência de arrecadação de fundos para essa entidade do organismo internacional.

A Autoridade Palestina enfrenta sérias dificuldades financeiras. Israel congelou parte dos impostos alfandegários que deve aos palestinos, justificando que a soma congelada corresponde à quantidade de ajuda dada pela Autoridade às famílias de palestinos presos ou mortos por terem cometido ataques contra Israel.

Antes da reunião no Bahrein, a Liga Árabe reiterou seu compromisso de entregar 100 milhões de dólares por mês aos palestinos, mas não especificou de que maneira.

A promessa de grandes investimentos em favor dos palestinos veio depois que Washington congelou mais de 500 milhões de ajuda, parou de financiar a Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina (UNRWA) e tomou inúmeras decisões em favor de Israel.

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