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Irã acusa EUA de "mentir" quando afirma que deseja negociar

25/06/2019 06h09

Teerã, 25 Jun 2019 (AFP) - O presidente do Irã, Hassan Rohani, acusou o governo dos Estados Unidos de mentir por afirmar que deseja negociar com Teerã, após o anúncio de sanções americanas contra o chefe da diplomacia iraniana, Mohamad Javad Zarif.

Rohani também questionou a utilidade das sanções financeiras anunciadas na segunda-feira contra o guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, um homem que, segundo ele, possui apenas uma "hussainiya (local de culto xiita) e uma casa modesta".

"Ao mesmo tempo que pedem negociações, eles tentam punir o ministro das Relações Exteriores. É evidente que mentem", declarou Rohani durante uma conferência médica em Teerã.

"Poderiam pelo menos ter esperado um pouco para que o mundo analisasse se dizem a verdade ou mentem", ironizou o presidente do Irã.

Quase ao mesmo tempo, o conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Bolton, criticou em Jerusalém o que chamou de silêncio "ensurdecedor" do Irã, ao mesmo tempo que disse que a porta segue aberta para "verdadeiras negociações".

"Tudo o que o Irã tem que fazer é entra por esta por aberta", declarou Bolton, ao lado do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

"No momento em que falamos, os representantes da diplomacia americana seguem para o Oriente Médio em busca de um caminho para a paz. Como resposta, o Irã mantém um silêncio ensurdecedor", disse Bolton, aparentemente sem ter conhecimento das declarações de Rohani.

Mais cedo, o governo do Irã afirmou que as medidas americanas fecham de "maneira permanente" a via diplomática entre Washington e Teerã.

"Impor sanções estéreis contra o guia supremo do Irã e o chefe da diplomacia iraniana (Mohamad Javad Zarif) é fechar de maneira permanente a via da diplomacia com o desesperado governo Trump", escreveu no Twitter o porta-voz do ministério das Relações Exteriores do Irã, Abbas Musavi.

"O governo (Trump) está destruindo todos os mecanismos internacionais existentes destinados a garantir a paz e a segurança mundial", completou.

Teerã e Washington romperam relações diplomáticas em 1980.

Também nesta terça-feira, o governo da China pediu "sangue frio e moderação" a Estados Unidos e Irã.

"Pensamos que seguir aplicando uma pressão máxima não ajuda a resolver o problema", afirmou Geng Shuang, porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores.

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