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Coreia do Norte acusa o Sul de interferir em negociações com EUA

27/06/2019 08h47

Seul, 27 Jun 2019 (AFP) - A Coreia do Norte fez um apelo nesta quinta-feira para que Seul deixe de interferir em suas suas negociações sobre a questão nuclear com o governo dos Estados Unidos, ao desmentir a existência de um diálogo intercoreano anunciado na véspera pelo presidente sul-coreano Moon Jae-in.

"É o contrário, na realidade", afirmou Kown Jong Gun, alto funcionário do ministério norte-coreano das Relações Exteriores, em um comunicado divulgado pela agência oficial KCNA.

"Seria melhor que as autoridades sul-coreanas cuidassem de seus próprios assuntos", completou, em uma mensagem ao vizinho do Sul, que se prepara para receber uma visita do presidente americano Donald Trump.

As negociações sobre a questão nuclear entre Coreia do Norte e Estados Unidos estão paralisadas desde o fracasso da segunda reunião de cúpula entre Trump e o líder norte-coreano, Kim Jong Un, em fevereiro em Hanói.

Na ocasião, eles não conseguiram alcançar um acordo sobre o alívio das sanções internacionais à Coreia do Norte e as medidas que Pyongyang deveria adotar em contrapartida. Os contatos bilaterais ficaram muito limitados desde então.

O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, que teve um papel crucial no ano passado na distensão registrada na península da Coreia, afirmou na quarta-feira que a eventual celebração de uma terceira reunião entre Trump e Kim é objeto de "negociações" entre Washington e Pyongyang.

- Como um papagaio -"Também existe um diálogo entre Sul e Norte por diferentes canais", afirmou, nas respostas escritas a uma série de perguntas apresentadas por diversos meios de comunicação.

Kwon, que é diretor geral do departamento de relações com os Estados Unidos no ministério norte-coreano, negou a existência de "diversas formas de contato e de reuniões a portas fechadas" entre Norte e Sul.

Ele denunciou a atitude da Coreia do Sul, ao afirmar que o país busca ter um papel que não tem como "mediador".

O diálogo entre Pyongyang e Washington "não será retomado por si só", acrescentou, antes de destacar que se Norte desejar entra em contato com a parte americana, pode fazê-lo pelo "canal de comunicação já existente".

"As autoridades sul-coreanas não têm razão alguma para interferir", advertiu.

Moon se reuniu em três ocasiões com Kim no ano passado. A possibilidade de uma viagem do norte-coreano a Seul chegou a ser cogitada.

Pyongyang não para de criticar Seul desde o fracasso da reunião de Hanói, o que não impediu a Coreia do Sul de liberar oito milhões de dólares de ajuda alimentar para o Norte.

Washington e Pyongyang trocaram acusações desde o encontro em Hanói. A Coreia do Norte afirma que o governo dos Estados Unidos atua de "má-fé" e estabeleceu prazo até o fim do ano para uma mudança de estratégia.

No comunicado, o funcionário norte-coreano recorda que "não resta muito tempo" para a data limite.

"O governo dos Estados Unidos fala sem cessar de uma retomada do diálogo, como um papagaio, sem apresentar propostas realistas que cumpram plenamente com os interesses das partes", lamentou Kwon.

Embora o Norte não tenha apresentado resposta às propostas americanas de retomar as conversações, Kim e Trump estabeleceram uma correspondência por escrito.

A imprensa estatal norte-coreana informou no domingo que Kim recebeu uma carta de Trump com conteúdo "excelente" do presidente americano. Alguns dias antes, Trump anunciou ter recebido uma carta "magnífica" e "muito amistosa" por parte do dirigente da Coreia do Norte.

A carta do presidente americano foi a 12ª trocada entre ambos desde o início de 2018, de acordo com o ministro sul-coreano da Unificação, Kim Yeon-chul. Kim Jong Un escreveu oito e Donald Trump quatro.

A visita de Trump a Seul após o G20 de Osaka provocou especulações sobre um encontro trilateral com Moon e Kim. Mas o presidente americano indicou que não se reuniria com Kim Jong Un.

sh/slb/jac/evs/sgf-bc/pb/fp

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