Topo

Mourão defende 'pragmatismo' na política externa e interna

15/07/2019 17h44

Rio de Janeiro, 15 Jul 2019 (AFP) - O vice-presidente Hamilton Mourão destacou nesta segunda-feira (15) a necessidade de "flexibilidade e pragmatismo" em questões como a crise da Venezuela, as relações com a Argentina em caso de vitória do peronismo ou as relações comerciais com a China, mostrando-se uma vez mais como uma voz moderada dentro do governo de Jair Bolsonaro.

No campo interno, o general Mourão insistiu na necessidade de continuar avançando nas reformas econômicas liberais, relegando a segundo plano pelo momento a agenda "dos costumes", impulsionada pelos setores mais conservadores do "bolsonarismo".

"Estamos vivendo um momento de instabilidade, de concorrência entre países (...) Um retorno a certo protecionismo" e o Brasil deve adotar "uma posição na qual tem que que ser flexível e pragmático", disse Mourão num encontro com jornalistas estrangeiros no Rio de Janeiro.

Essa atitude se aplica a vários temas:

Venezuela: sem solução a curto prazoO governo brasileiro reconheceu - assim como os Estados Unidos e outros 50 países - o opositor Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela, mas Mourão pensa que "essa crise não tem um desfecho a curto prazo".

"Existem atores externos como Rússia e China [aliados de Maduro] (...) e uma grande presença de cubanos que controlam as milícias bolivarianas e o serviço de Inteligência", ponderou.

O melhor que outros países podem fazer, acrescentou, é "ajudar na busca de uma solução correta que leve a novas eleições".

China: nenhum veto à HuaweiMourão informou que o Brasil, que em 2020 deve licitar sua rede 5G, não apresentou nenhuma restrição à atividade da empresa chinesa Huawei, no centro de recentes controvérsias entre Pequim e Estados Unidos.

"Não há veto à Huawei no Brasil. A Huawei está aqui há dez anos", disse o vice-presidente. "Não podemos em nenhum momento depreciar a relação om a China, que é nosso maior sócio comercial", acrescentou.

Argentina: relações entre EstadosBolsonaro assumiu publicamente seu apoio ao presidente argentino, Mauricio Macri, e advertiu que uma vitória em outubro da chapa peronista de Alberto Fernádez-Cristina Kirchner poderia desencadear uma crise econômica e humanitária "como a da Venezuela".

Mourão, ao ser perguntado sobre o tema, admitiu que no governo "há uma torcida" a favor de Macri, mas esclareceu que as relações entre os dois países são "de Estado para Estado, independentemente do governo".

Prioridade para a economiaEm declarações à AFP após o encontro, Mourão destacou a necessidade de avançar na reforma da previdência (em processo de aprovação no Congresso) e em outras medidas econômicas, antes de dar espaço para a agenda "de costumes" defendida pelos partidários da flexibilização do porte de armas ou pelas igrejas neopentecostais com muita influência no Congresso.

"Temos que reverter esta situação de crescimento baixo e baixa produtividade. 2019 será um ano importante para concluir a reforma da previdência e encaminhar a reforma tributária.(...) Depois será possível pensar na questão política, que está muito vinculada à questão dos costumes", disse Mourão.

js/mel/lca/mvv

Internacional