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Duro golpe policial atinge famílias da Cosa Nostra na Itália e Nova York

17/07/2019 15h09

Roma, 17 Jul 2019 (AFP) - A polícia antimáfia italiana e o FBI de Nova York golpearam nesta quarta-feira a Cosa Nostra em uma operação conjunta as históricas famílias da poderosa organização criminosa siciliana com ramificações nos Estados Unidos.

Dezenove pessoas foram detidas na vasta operação realizada tanto na Itália como nos Estados Unidos contra membros das famílias mais importantes da máfia siciliana.

Mais de 200 policiais foram mobilizados para a operação, chamada "New Connection", durante a qual foram detidas 18 pessoas na Itália e uma nos Estados Unidos.

Entre os detidos figura Thomas Gambino, considerado pelo FBI como uma figura chave da organização.

Gambino é uma das cinco famílias ítalo-americanas de Nova York que por décadas controlou o crime organizado na cidade.

De origem siciliana, seu poder se estende a outras regiões graças a atividades como jogos de azar, agiotagem, uso de capangas, corrupção, sequestro e lavagem de dinheiro.

Em Palermo, capital de Sicília, a polícia antimáfia ordenou a prisão de vários membros envolvidos com a família Inzerillo, segundo explicou o procurador Roberto Tartaglia.

Para os investigadores, a família Inzerillo, inimiga do "chefão de todos os chefões", Salvatore "Toto" Riina, estava tentando de reativar seu poder dentro da organização após a morte do chefe em 2017.

Os detidos, entre eles o prefeito da siciliana Torretta, Salvatore Gambino, foram acusados de associação mafiosa, extorsão e fraude, entre outros delitos.

- Os Inzerillo: perdedores -A operação coincide com a decisão do parlamento italiano de permitir a divulgação de centenas de arquivos secretos sobre a máfia.

São gravações e documentos sobre as investigações realizadas entre 1963 e 2001, anos difíceis, durante os quais foram assassinados os dois juízes símbolo da luta contra a máfia: Giovanni Falcone e Paolo Borsellino.

As duas famílias, Inzerillo e Gambino, estavam empenhadas em reativar os laços entre Sicília e Estados Unidos aproveitando a morte de Riina, mais conhecido como "La Fiera" depois de ter semeado o terror na Sicília e em sua própria organização durante 20 anos.

Na lista dos detidos estão Francesco e Tommaso Inzerillo, irmão e primo de Totuccio, chamado o rei do tráfico de drogas, que foi assassinado em 1981 por ordem de Riina.

São todos os nomes conhecidos pela justiça e que apareciam no histórico julgamento da Cosa Nostra, encaminhado pelo juiz Falcone na década de 80.

Parte do clã Inzerillo, especializado no tráfico de heroína, teve que fugir para os Estados Unidos.

Diz-se que no funeral de Inzerillo, seu filho adolescente jurou vingar o pai. Pouco depois foi sequestrado, torturado e assassinado.

Alguns informantes, incluindo Tommaso Buscetta, o primeiro chefão que se arrependeu de pertencer a essa máfia, afirmaram que dispararam contra a cabeça do rapaz depois de terem cortado seu braço que ele usaria - segundo seus assassinos - para disparar contra Riina e matá-lo, como havia prometido.

Graças a escutas telefônicas e gravações de vídeos, os investigadores comprovaram os vínculos entre eles em uma ampla gama de negócios, que vão da venda de terrenos ao fornecimento de alimentos e pontos de apostas.

Durante a operação foram sequestrados bens de 3 milhões de euros e houve buscas em residências de Calogero Zito, em Nova Jersey, Thomas Gambino, em Staten Island (Nova York) e Simone Zito, na Filadélfia.

"Com essa operação pegamos um grupo de mafiosos que fazia parte da história da Cosa Nostra. Eram os perdedores e haviam tido que fugir para que seus inimigos não os matassem, os de Corleone. Continuam sendo perdedores para o Estado", comentou o chefe da polícia de Palermo, Renato Cortese.

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