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ONU chega a acordo com rebeldes do Iêmen para retomar entrega de alimentos

18/07/2019 16h07

Nações Unidas, Estados Unidos, 18 Jul 2019 (AFP) - A ONU alcançou um princípio de acordo com os rebeldes huthis do Iêmen para retomar a entrega de ajuda alimentícia nas áreas sob controle do grupo - afirmou o diretor do Programa Mundial de Alimentos da ONU, David Beasley.

Após quatro anos de guerra civil, a desnutrição aumentou no Iêmen, mas a ONU suspendeu a entrega de alimentos nas áreas controladas pelos rebeldes no mês passado por risco de "desvio de alimentos".

Ainda não formalizado, o novo acordo com os huthis permitirá entregar com maior rapidez alimentos na capital rebelde, Sanaa, informou Beasley diante do Conselho da Segurança da ONU.

"Pode-se dizer que temos progressos substanciais", disse ele durante uma reunião sobre o Iêmen, acompanhado de funcionários humanitários da ONU.

Segundo Beasley, é grave a situação sofrida pelo país.

"Cerca de 30 milhões de pessoas vivem no Iêmen, e mais de dois terços da população sofrem com a insegurança alimentar. São 20 milhões de mulheres, homens, meninos e meninas", relatou.

O enviado da ONU para o Iêmen, Martin Griffiths, advertiu sobre a piora da situação humanitária e disse que um frágil cessar-fogo no porto de Hodeida "finalmente nos permitirá nos concentrar no processo político antes do final desse verão (boreal)".

Mark Lowcock, chefe humanitário da ONU, disse que os compromissos internacionais de ajuda ao Iêmen não estavam sendo cumpridos.

Ele se referiu, especialmente, à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes Unidos, membros da coalizão que interveio no Iêmen em apoio ao governo.

"Aqueles que fizeram as maiores promessas, os vizinhos do Iêmen na coalizão, até agora pagaram somente uma modesta parte do prometido", denunciou.

Dezenas de milhares de pessoas morreram pelo confronto entre os huthis, grupo apoiado pelo Irã, e as forças do governo, que contam com o suporte de uma coalizão internacional liderada pela Arábia Saudita.

Muitos dos mortos são civis, dizem as agências de ajuda.

O conflito também levou cerca de 3,3 milhões de pessoas a abandonarem suas casas.

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