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Guerra judicial nos EUA para poder vender como carne o que não é carne

22/07/2019 21h55

Washington, 23 Jul 2019 (AFP) - Os filés e hambúrgueres vegetarianos, uma das novas tendências culinárias, viraram motivo de uma disputa judicial nos Estados Unidos.

Várias associações entraram com ações legais contra uma lei do estado americano do Arkansas, que proíbe o uso do termo "carne" na apresentação deste tipo de produto, mesmo se acompanhados das palavras "vegetariano" ou "vegano".

A lei entra em vigor esta semana e prevê multa de até 1.000 dólares para as empresas que não cumprirem esta norma de rotulagem.

Os demandantes alegam que a lei viola a liberdade de expressão garantida na primeira emenda da Constituição americana e dizem que foi aprovada para proteger a indústria da carne.

A ação foi apresentada pela empresa Tofuky, que produz peru assado à base de tofu, e é apoiada pela poderosa organização de direitos civis ACLU, a ONG apoiadora de produtos vegetarianos Good Food Institute e o grupo Fundo de Defesa Legal Animal.

Também foram tomadas medidas contra leis similares adotadas em outros estados como Missouri, Mississípi e Louisiana.

O filé de soja existe há muito tempo, mas graças ao uso de tecnologias sofisticadas, as empresas se aproximaram do sabor, cor, cheiro e textura da carne.

Há algum tempo, os hambúrgueres de trigo, os cachorros quentes de tofu e as imitações de tiras de frango feitas sem a carne de animais foram ganhando espaço nas redes de lanchonetes e supermercados americanos.

Desde abril, o Burger King vende nos Estados Unidos uma versão vegetariana de seu carro-chefe, o sanduíche "Whopper", que a rede garante ter um sabor similar ao feito com carne.

Segundo o Good Food Institute, as vendas de produtos alternativos à carne aumentaram 23% em 2018 nos Estados Unidos, em meio a preocupações com o meio ambiente, o bem-estar animal e a saúde.

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