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Para líder da esquerda francesa, cerca entre México e EUA é símbolo de violência

23/07/2019 18h05

México, 23 Jul 2019 (AFP) - O líder da esquerda francesa, Jean-Luc Mélenchon, visitou a cidade mexicana de Tijuana (noroeste), vizinha aos Estados Unidos, onde qualificou a cerca na fronteira entre os dois países, erguida por Washington, como "o símbolo da violência do império".

Mélenchon se dedicou a várias atividades entre a noite de segunda e esta terça-feira, entre elas reunir-se com militantes do partido governista Morena (esquerda) e funcionários eleitos, perante os quais lembrou que antigamente só existia o muro de Berlim, na Alemanha, onde os "seres humanos arriscavam" a vida, tentando pulá-lo para conquistar "a liberdade".

Em declarações à AFP, o esquerdista manifestou seu apoio à política do presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, de promover o desenvolvimento da América Central para que emigrar seja uma decisão e não um ato de sobrevivência.

"Não migram por prazer ou para fazer turismo social (...) Estou totalmente de acordo com López Obrador, dizendo que este é o primeiro ponto, que o povo seja capaz de ficar em seu país", disse.

Mélenchon, líder da França Insubmissa e candidato nas últimas eleições presidenciais em seu país, qualificou de "bárbaro" e "estúpido" o ato de construir cercas de arame para dividir nações, sobretudo quando os governos pensam "que o povo não vai passar".

"Vai passar, seja morrendo ou sofrendo. Mas vai passar", disse, destacando que os migrantes devem ser integrados à sociedade, dar-lhes um tratamento humano e fraterno, e nunca assustar uma comunidade por sua chegada.

O político da esquerda francesa decidiu visitar Tijuana, transformando em um dos epicentros da problemática migratória que se intensificou nos últimos meses, com ondas de imigrantes ilegais, a maioria centro-americanos, que cruzaram o México com a esperança de chegar aos Estados Unidos, fugindo da pobreza e da violência em seu país.

Esta crise migratória deixou tensas as relações do México com os Estados Unidos, que exige deter esta onda de migrantes.

Depois que o presidente americano, Donald Trump, ameaçou taxar importações mexicanas, em 7 de junho os dois países alcançaram um acordo no qual o México se comprometeu a controlar esse fluxo de migrantes.

Milhares de guardas nacionais e militares foram enviados às fronteiras sul e norte do México, com o que, segundo a chancelaria, a migração diminuiu 30%.

Em uma primeira avaliação entre as duas partes, os Estados Unidos reconheceram que o fluxo de migrantes sem documentos diminuiu, mas ainda há o que fazer. Em 45 dias será feita outra avaliação.

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