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Venezuela recupera 85% do fornecimento de energia após novo apagão, diz governo

23/07/2019 23h21

Caracas, 24 Jul 2019 (AFP) - O fornecimento de eletricidade foi restaurado em 85% na Venezuela, segundo um balanço apresentado nesta terça-feira pelo governo, um dia depois de um novo blecaute que deixou às escuras praticamente todo o país.

De acordo com a estatal Corporación Eléctrica Nacional (Corpoelec), a eletricidade foi completamente restaurada em Caracas, embora haja setores da capital que sofreram perdas de energia intermitentes. Segundo o governo, este novo apagão foi provocado por um "ataque eletromagnético".

Há regiões do país onde a falta de energia já supera as 24 horas, segundo relatos de usuários nas redes sociais.

De acordo com o Observatório de Serviços Públicos, o apagão, que ocorreu às 16h41 de segunda-feira (17h41 no horário de Brasília), afetou os 23 estados do país, além da capital de seis milhões de habitantes.

O corte impactou os serviços de transporte, abastecimento de água potável e comunicações telefônicas. Um relatório citado pelo Observatório indicava que uma dúzia de hospitais estava sem energia.

As operações no aeroporto internacional de Maiquetía, que serve a Caracas, não foram interrompidas.

O governo atribuiu o incidente a "um ataque de natureza eletromagnética contra o sistema de geração hidrelétrica de Guayana" (sul), onde está localizada a usina hidrelétrica de Guri, que abastece 80% da Venezuela.

O relatório lido pelo ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez, reconheceu a magnitude do apagão como "um evento nacional".

O presidente socialista, Nicolás Maduro, denunciou um "novo ataque criminoso".

"Sinto indignação. As correções necessárias não foram feitas e é mais do mesmo", disse Eurimar Güere, moradora de 36 anos de Caracas.

- "Fracasso evidente" - A capital ficou no escuro ao anoitecer, mas à meia-noite o serviço começou a ser restaurado.

O governo ordenou a suspensão das atividades trabalhistas e educacionais para esta terça-feira.

No início de março, um enorme apagão paralisou o país por uma semana, levando a problemas no abastecimento de água e telecomunicações. O atendimento hospitalar também foi afetado por esse incidente e outro ocorrido dias depois.

Outro apagão que deixou grande parte do território no escuro ocorreu em abril.

"Tentaram esconder a tragédia com racionamentos por todo o país, mas o fracasso é evidente: destruíram o sistema elétrico e não há respostas", afirmou no Twitter o líder opositor Juan Guaidó.

Há exatos seis meses o chefe do Parlamento de maioria opositora se declarou presidente interino, sendo reconhecido por cinquenta países liderados pelos Estados Unidos.

Guaidó convocou um novo protesto nesta terça durante uma sessão parlamentar de rua na capital.

Os apagões são comuns na Venezuela. O governo geralmente os atribui a atos de sabotagem e denuncia que as sanções americana impedem a compra de peças de reposição.

A oposição e os especialistas culpam a falta de investimentos, incapacidade e corrupção em meio a uma grave crise econômica.

Na segunda-feira, após denúncias da Venezuela de uma incursão de um avião da inteligência americana no espaço aéreo venezuelano, o líder chavista Diosdado Cabello vinculou esse tipo de incidente aos apagões.

Apesar das denúncias de sabotagem, Maduro demitiu em março o então ministro da Energia, Luis Motta Domínguez.

Seu substituto, Igor Gavidia, durou pouco e o presidente nomeou em junho outro encarregado, Freddy Brito.

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