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Tuítes, reuniões e arrecadação de fundos: o programa de férias de Trump

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - Kevin Lamarque/Reuters
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump Imagem: Kevin Lamarque/Reuters

Berkeley Heights, Estados Unidos

15/08/2019 17h04

Oficialmente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está de férias de verão, apesar das participações em eventos para arrecadação de fundos, reuniões para definir estratégias para a campanha à reeleição e os inevitáveis tuítes e retuítes indicarem o contrário.

"Nunca são férias", disse antes de deixar a Casa Branca na sexta-feira para passar dez dias em seu clube de golfe em Bedminster, Nova Jersey.

O ex-magnata do ramo imobiliário e apresentador de televisão quer que todos saibam que ele não quer, não necessita, de tempo livre.

"Gosto de trabalhar. Preferiria ficar aqui", disse na Sala Oval.

A afirmação é parte do personagem que Trump vem construindo há décadas: o do empresário hiperativo e "workaholic" de Nova York que nunca dorme.

Mas o personagem não se afasta tanto da realidade. Assim que entrou de férias, realizou um evento de arrecadação de fundos para sua campanha de reeleição, e conseguiu 12 milhões de dólares em doações.

Além disso, na terça-feira embarcou no Air Force One para fazer um discurso numa fábrica petroquímica da Shell na Pensilvânia. E nesta quinta-feira vai a New Hampshire para um comício de campanha.

E definitivamente, sua conta no Twitter não registra pausas.

Trump tem mantido um fluxo constante de postagens. Retuitou, por exemplo, uma estranha teoria da conspiração e escreveu sobre a guerra comercial com a China, entre outros assuntos importantes de Estado.

"Este cara é diferente"

É claro que todos os presidentes têm que trabalhar durante suas férias.

Inclusive quando Trump está dando suas tacadas de golfe, um militar fica em um local próximo com uma maleta que contém os códigos das armas nucleares.

Conselheiros e especialistas ficam de prontidão ao seu lado. Os integrantes do Serviço Secreto, apoiados por outras agências de segurança pública, são destacados durante todo o dia, junto com a limusine Beast, o helicóptero Marine One e o avião presidencial Air Force One.

Facilidades desfrutadas também por todos os inquilinos da Casa Branca.

Barack Obama passava as férias em seu estado natal, Havaí. Antes dele, Bill Clinton descansava em Martha's Vineyard, na costa leste. George W. Bush amava seu rancho em Crawford, Texas, onde se esquecia das frustrações de ficar recluso em Washington.

Mas todos estavam em alerta, todo o tempo.

Em 1983, Ronald Reagan interrompeu as férias em seu rancho na Califórnia quando foi informado que a União Soviética havia derrubado um avião da Korean Airlines.

Mas durante suas férias, o estilo onipresente de Trump permanece intacto.

"Este cara é diferente", disse James Thurber, um especialista em presidência da American University.

"Ele nunca deixa a política. Utiliza estes descansos também para participar de comícios. Está em modo de campanha permanente", afirmou.

Nova Jersey?

Assim como ocorre com as pessoas comuns, a escolha do local de férias do presidente diz muito sobre sua personalidade.

Há 150 anos, Ulysses S. Grant foi o primeiro presidente a ficar em Martha's Vineyard. Muitos o imitaram, atraídos pela atmosfera da ilha e a oportunidade de estar entre tantas pessoas ricas e bem relacionadas.

Havia outros como George W. Bush e Reagan que preferiam voltar a suas raízes.

Mas Trump prefere ficar em seu clube de golfe em Nova Jersey, onde a inscrição custa cerca de 350 mil dólares.

No inverno, prefere ir para outro resort de golfe que possui, o clube Mar-A-Lago na ensolarada Flórida.

Na maioria das vezes, o público não tem ideia do que acontece dentro do cordão de isolamento. Com a presença do presidente, essas comunidades ficam muito fechadas.

Mas quando a Casa Branca publica o aviso diário dizendo que Trump "não tem eventos públicos programados", apenas uma coisa é certa: ele agendará algo.

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