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Brasil extraditará para o Chile ex-guerrilheiro condenado por sequestro

19/08/2019 19h41

Santiago, 19 Ago 2019 (AFP) - O Brasil extraditará para o Chile o ex-guerrilheiro Mauricio Hernández Norambuena, ex-líder de uma das principais organizações que enfrentaram o ex-ditador Augusto Pinochet e detido há 17 anos pelo sequestro de um publicitário brasileiro, confirmou nesta segunda-feira o governo chileno.

Hernández foi condenado no Chile como autor do assassinato em 1991 do senador ultraconservador Jaime Guzmán, um dos ideólogos da ditadura de Pinochet (1973-1990), mas escapou da prisão de Santiago em um helicóptero.

Depois de passar por Cuba, o ex-guerrilheiro chileno foi detido em 2002 no Brasil acusado de sequestrar o publicitário brasileiro Washington Olivetto, crime pelo qual foi condenado a 30 anos de prisão.

"O Brasil entregará Hernández Norambuena em conformidade às normas vigentes", anunciou nesta segunda-feira o ministro da Justiça do Chile, Hernán Larraín.

O ministro não informou a data exata em que o ex-guerrilheiro será entregue, mas afirmou que "está tudo encaminhado para que nos próximos dias Mauricio Hernández esteja nas mãos dos tribunais chilenos de justiça".

O Chile havia pedido em 2008 ao Brasil a extradição do ex-guerrilheiro, que foi concedida pela Justiça brasileira, que pediu que o país de origem cumpra a pena máxima prevista no Brasil, de 30 anos.

"Houve um comprometimento formal do governo do Chile com a não execução de penas não previstas na Constituição brasileira. Dentre elas prisão perpétua e pena de morte", informou uma fonte judicial do Brasil à AFP.

Pelo assassinato de Jaime Guzmán e o sequestro de Cristián Edwards - um dos filhos do dono do jornal El Mercurio de Santiago -, a justiça chilena determinou que Hernández Norambuena cumpra 40 anos de prisão.

"Esperamos em data próxima que isso se concretize, para que Mauricio Hernández Norambuena venha a cumprir a pena que lhe corresponde em conformidade com o ordenamento vigente nacional e internacional ao qual o Chile está submetido", acrescentou o secretário de Estado chileno.

Conhecido como "Comandante Ramiro", Hernández foi líder da Frente Patriótica Manuel Rodríguez (FPMR), grupo que aderiu à luta armada contra a ditadura de Pinochet.

Junto com Hernández outros três ex-guerrilheiros foram condenados pela morte de Guzmán e escaparam com ele da prisão. Ricardo Palma Salamanca recebeu o asilo político na França no começo do ano, depois de viver por quase duas décadas na clandestinidade no México. Patricio Ortiz vive na Suíça, enquanto Raúl Escobar foi detido no México em 2017 por sua suposta participação em vários sequestros.

Pa-jm/dg/cc

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