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Governo populista da Itália decide seu futuro político

20/08/2019 10h47

Roma, 20 Ago 2019 (AFP) - O governo "populista" italiano coloca seu futuro em jogo, se decidir formalizar no Senado, nesta terça-feira (20), a ruptura da aliança entre a ultradireitista Liga, de Matteo Salvini, e o Movimento 5 Estrelas (antissistema), que abre muitos desdobramentos na crise política local.

Depois de governar por 14 meses, o delicado acordo entre a Liga e o M5E está para ser rompido de forma definitiva, depois da crise deflagrada em 8 de agosto por Salvini, vice-primeiro-ministro e ministro do Interior, ao pedir eleições antecipadas.

O premiê Giuseppe Conte comparece nesta terça ao Senado e ainda não se sabe se submeterá o governo a uma moção de confiança. Esta decisão implicaria vários cenários.

Para muitos analistas, Conte poderá apresentar sua renúncia formal ao presidente da República, Sergio Mattarella, e é possível que se forme um novo governo com outra coalizão, da qual fariam parte o M5E, vencedor das eleições de 2018 com 32%, e o Partido Democrático (centro esquerda), que ficou em segundo, com 18%.

A crise desencadeada não apenas gerou preocupação pela estabilidade econômica, como também acabou aproximando duas legendas até então rivais. Esta aliança pode conter o impressionante avanço de Salvini e de sua política de extrema direita.

O líder ultradireitista mudou sua atitude nos últimos dias, porém, tentando se reconciliar com o M5E.

"Meu celular está sempre ligado", disse ele, confiando nas divisões entre a ala esquerda do M55 e a ala direita liderada por Luigi di Maio, atual líder e também vice-primeiro-ministro.

O fundador do movimento antissistema, o comediante Beppe Grillo, fechou as portas para uma reconciliação, acusando Salvini de ser um traidor.

- Figura-chave -Diante disto, o primeiro-ministro Conte, um advogado sem experiência política, tornou-se nos últimos dias a figura-chave para o futuro do país.

Em uma carta aberta, o ex-advogado próximo à esquerda esclareceu sua posição, contrariando a política anti-imigração de Salvini e o fechamento de portos para navios humanitários.

"Em dez dias ele deixou de ser o Sr. Ninguém para ser o Senhor Conte", disse à AFP o analista italiano Aldo Garzia.

São muitos os cenários que se apresentam nesta terça-feira.

Conte pode simplesmente renunciar e depois comparecer ante o presidente da República, Sergio Mattarella, árbitro da situação, conforme previsto pela Constituição italiana e seu complexo sistema parlamentar.

Mattarella deverá, então, explorar as várias alternativas através de consultas com as forças políticas.

Vários líderes históricos da centro esquerda de diferentes correntes consideram que a oportunidade deve ser aproveitada para formar um governo sólido e progressista, com o apoio da União Europeia, que ofereça uma resposta ao fenômeno da migração, ao desemprego dos jovens e à dívida pública.

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