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Homem que fez reféns em ônibus na Ponte Rio-Niterói é abatido pela polícia

20/08/2019 18h43

Rio de Janeiro, 20 Ago 2019 (AFP) - O homem que, na manhã desta terça-feira, tomou como reféns os passageiros de um ônibus na Ponte Rio-Niterói por quase quase quatro horas foi abatido por atiradores de elite da polícia.

"Foi necessário atirar", disse o coronel Mauro Fliess à Globo News . O sequestrador identificado como Willian Augusto da Silva, de 20 anos, deteve o ônibus da Viação Galo Branco, que fazia a linha 2520 / Jardim Alcântara (São Gonçalo)-Estácio (Rio de Janeiro), com 37 pessoas a bordo às 05H30, e liberou seis pessoas antes de ser abatido cerca de quatro horas depois.

O tenente-coronel Maurílio Nunes chamou Willian de "psicótico". O homem colocou garrafas plásticas cortadas ao meio e cheias de gasolina dentro do ônibus, acrescentou o policial.

O sequestrador, que usava uma camiseta branca, calças escuras e cobria parcialmente o rosto, foi atingido ao deixar brevemente o ônibus que estava parado na ponte, um importante ponto de fluxi de trânsito da região metropolitana do Rio. Nenhum refém foi ferido, disse a polícia militar após a operação. Willian foi levado para o hospital, onde morreu, de acordo com um comunicado da polícia.

O sequestrador carregava uma arma falsa, confirmou a polícia horas depois do fim da operação.

Toda a ação foi transmitida ao vivo pela televisão, enquanto todos os pontos de acesso à ponte foram fechados, o que gerou um grande congestionamento na área central do Rio e de Niteroi.

Após os disparos, as imagens ao vivo mostraram as pessoas que estavam na ponte aplaudindo e celebrando a ação. Ambulâncias se aproximaram do ônibus que estava retido no vão central da via desde a madrugada.

A polícia negociava desde cedo com o sequestrador que, segundo alguns reféns, não feriu nenhuma pessoa, mas ameaçou atear fogo ao ônibus.

- "Pensei que fosse morrer" -"Parou o motorista, anunciou que o ônibus seria sequestrado, não pediu as nossas coisas, amarrou nossas mãos e pediu para que fechássemos as cortinas", declarou ao canal Globo News Hans Moreno, um dos reféns. "Ele estava muito calmo, muito tranquilo".

"Pensei que ia morrer", disse Walter Freire, outro refém que concedeu uma entrevista à televisão, visivelmente nervoso. "Graças a Deus a polícia agiu bem", afirmou.

"O ideal é que todos saíssem vivos, mas tivemos que tomar a decisão de salvar os reféns", declarou o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, que se dirigiu até o local para parabenizar a polícia pela operação.

O governador chegou à ponte de helicóptero e ao descer da aeronave ele comemorou o fim da operação, o que gerou algumas críticas na imprensa e redes sociais.

Witzel confirmou a morte do sequestrador e disse que conversou com seus parentes, que teriam pedido desculpas pelo drama deflagrado.

Questionado sobre a motivação da ação, o governador afirmou que poderia ser uma pessoa que sofre de "algum transtorno".

"Iremos aprofundar agora para ver qual foi a causa", acrescentou, explicando que, ao contrário do que foi inicialmente dito por alguns meios de comunicação locais, o sequestrador não era um policial.

Antes da ação policial que pôs fim ao sequestro, o presidente Jair Bolsonaro, em sua residência oficial em Brasília, disse a repórteres que concordava com o uso de franco-atiradores.

"Não tem que ter pena", disse ele, lembrando casos anteriores semelhantes.

O sequestro de ônibus tem alguns casos precedentes no Rio.

Em agosto de 2011, um deles deixou três feridos no coração da cidade.

Em junho de 2000, um refém foi morto e o atacante morreu após ser capturado pelas autoridades no incidente conhecido como "O sequestro do Ônibus 174", que virou filme dirigido por José Padilha.

Witzel ainda defendeu o trabalho da polícia e disse que os agentes envolvidos na operação poderão ser condecorados.

Durante quase quatro horas, dezenas de carros ficaram bloqueados na ponte.

Pouco depois das 10H00 o tráfego foi liberado, enquanto as ambulâncias permaneciam ao redor do ônibus.

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