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Bolívia recebe avião cisterna SuperTanker para combater incêndio florestal

23/08/2019 20h46

Roboré, Bolívia, 23 Ago 2019 (AFP) - O primeiro objetivo do avião cisterna SuperTanker que começou a operar nesta sexta-feira na região de Taperas (leste da Bolívia), de isolar uma importante usina termoelétrica de um voraz incêndio, foi "relativamente bem-sucedido", disse uma fonte oficial.

Juan Ramón Quintana, ministro da Presidência local, qualificou de "relativamente bem-sucedida" a operação da primeira descarga de 75.000 litros de água que o SuperTanker efetuou sobre uma ampla zona da Chiquitanía boliviana, no sudeste perto da fronteira com Brasil e Paraguai.

O primeiro objetivo foi isolar do fogo a usina termoelétrica Ipiás, que usa gás natural como combustível e está localizada entre os povoados de San José de Chiquitos e Roboré. Essa instalação, que abastece boa parte da Chiquitanía, sofreu há uma semana cortes de energia, alguns deles programados, para atender a contingência.

Antes da descarga, Quintana havia declarado que na região onde fica a termoelétrica "existem três focos de calor" e que o avião cisterna iniciaria "sua primeira operação sobre esta área de Ipiás que se encontra a três ou quatro quilômetros em área semimontanhosa".

Daniel Castro, porta-voz da Cooperativa Rural de Eletrificação (CRE), proprietária da usina de Ipiás, disse à AFP que "o pior já passou" e que a situação mais crítica foi vivida no fim de semana, com a queima de postes de luz e um apagão prolongado no domingo.

Após chegar, na madrugada de sexta, o avião cisterna começou a operar na Chiquitanía para combater um voraz incêndio que já devastou mais de 744.000 hectares de floresta no país.

O governo prevê que o SuperTanker permanecerá cerca de 10 dias no país, segundo a evolução dos incêndios.

No entanto, o presidente Evo Morales disse em uma cerimônia pública que instruiu "ao ministro da Defensa a fazer cotações para comprarmos um avião SuperTanker e não ter de alugá-lo".

O fogo destruiu florestas, cultivos e pastagens em Santa Cruz, devido à queima de campos agrícolas, uma prática ancestral chamada "chaqueo" na região, segundo a qual a cinza melhora a qualidade da terra para semear.

O governo da Bolívia fez um apelo na quinta-feira para que Brasil e Paraguai adotem ações na zona compartilhada pelos três países, sobre a Hidrovia Paraná-Paraguai.

Bolívia e Paraguai concordaram em desenvolver um "trabalho conjunto dos dois países, tanto no território boliviano como no território paraguaio", afirmou o ministro boliviano do Meio Ambiente, Carlos Ortuño.

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