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EUA invoca acordo regional de defesa diante de ameaça da Venezuela

12/09/2019 02h29

Washington, 12 Set 2019 (AFP) - Os Estados Unidos invocaram o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR) diante de exercícios militares "belicosos" por parte do governo venezuelano de Nicolás Maduro, informou nesta quinta-feira o secretário americano de Estado, Mike Pompeo.

"Recentes movimentos belicosos de mobilização na fronteira com a Colômbia por parte de militares venezuelanos, assim como a presença de grupos ilegais armados e organizações terroristas no território venezuelano demonstram que Nicolás Maduro não é apenas uma ameaça ao povo venezuelano, suas ações também ameaçam a paz e a segurança dos vizinhos da Venezuela", declarou Pompeo ao ativar o TIAR.

O líder opositor venezuelano Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino por mais de 50 países, solicitou a invocação do TIAR, revelou Pompeo em um comunicado, que foi publicado no Twitter pelo presidente Donald Trump na madrugada desta quinta-feira.

Na véspera, EUA, Brasil, Argentina, Colômbia, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Paraguai, República Dominicana e a própria Venezuela, através do representante de Guaidó, haviam ativado o órgão de consulta do TIAR no Conselho Permanente da OEA.

Durante a sessão do Conselho Permanente, o chanceler da Colômbia, Carlos Holmes Trujillo, pediu à comunidade internacional o emprego de todos os instrumentos ao seu alcance "para combater eficazmente o terrorismo", ao denunciar o apoio de Maduro à guerrilha colombiana do Exército de Libertação Nacional (ELN) e a ex-combatentes da extinta Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

O chanceler colombiano afirmou que a "proteção" do "regime ditatorial" de Maduro ao ELN e a grupos armados residuais colombianos "'narcoterroristas' gera novos elementos de insegurança à paz e à estabilidade na região".

Em meio à tensão na fronteira comum de 2.200 km, Maduro ordenou manobras militares na região até o final de setembro, e a mobilização do sistema de mísseis diante da ameaça representada por Bogotá.

Colômbia e Venezuela romperam relações diplomáticas em fevereiro.

A Venezuela abandonou o TIAR há seis anos, mas em julho passado a Assembleia Nacional venezuelana - liderada por Guaidó - aprovou o regresso ao tratado.

Segundo o TIAR, também conhecido como Tratado do Rio por sua adoção nesta cidade em 1947, os países membros podem optar por medidas que vão da ruptura das relações diplomáticas ao emprego da força armada.

Na quarta-feira, o presidente da Colômbia, Iván Duque, rejeitou qualquer diálogo com Maduro para reduzir a tensão na fronteira, alegando ser impossível negociar com quem rejeita a democracia.

"Quando você dialoga é para aproximar posições e buscar pontos de acordo, mas somos um país que defende a democracia (...) e Nicolás Maduro é inimigo da democracia".

"A Colômbia mantém sua posição porque nós não estamos agredindo ninguém, não estamos fazendo provocações de caráter militar", destacou Duque, que seguirá denunciando junto aos organismos internacionais a presencia de "terroristas colombianos" na Venezuela.

it/rbu/lr

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