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Milhares de estudantes iniciam greve global contra mudança climática

20/09/2019 16h27

Nova York, 20 Set 2019 (AFP) - Centenas de milhares de estudantes participam nesta sexta-feira (20) de um dia de manifestações em todo planeta, no que promete ser a maior mobilização da história para conscientizar os adultos sobre a importância de agir contra a mudança climática.

Os alunos de grandes cidades como Sydney, Manila, Mumbai, Seul e Bruxelas responderam à convocação da jovem ativista sueca Greta Thunberg, que participa do protesto em Nova York, a não comparecerem às aulas hoje e participarem da greve escolar simbólica.

Mais de 5.000 eventos estão programados para acontecer no mundo inteiro, incluindo a imensa manifestação em Nova York, onde se prevê a participação de mais de um milhão de estudantes de 1.800 escolas.

- "Ponto de inflexão" -Thunberg está encantada de que seu movimento "Fridays for Future", que lançou sozinha no ano passado ante o parlamento sueco para exigir ações dos governantes para reduzir o aquecimento do planeta, tenha convocado milhões de pessoas.

"As cifras são incríveis, quando você vê as imagens, é difícil de acreditar", disse a ativista nesta sexta à AFP na prefeitura de Nova York, antes de partir para a marcha.

"Espero que seja um ponto de inflexão para a sociedade, que mostre quantas pessoas estão envolvidas, quantas pessoas estão pressionando os líderes, especialmente antes da cúpula climática da ONU", acrescentou.

As mobilizações desta sexta preparam o caminho para uma semana de eventos destinados a lutar contra o aquecimento global em Nova York, onde as Nações Unidas acolhe neste fim de semana a primeira cúpula de jovens pelo clima da organização e na segunda-feira uma cúpula sobre o clima com uma centena de líderes mundiais.

"O clima afeta nosso futuro", disse Sarah Whitney, de 17 anos, na manifestação que começou no sul de Manhattan, em Foley Square, e que terminará em Battery Park. Os líderes devem entender que "o tempo está acabando e é preciso mudar agora, porque em breve não haverá mais volta atrás e não teremos um futuro", disse a estudante nova-iorquina, que chegou ao protesto com várias amigas.

Artemisa Barbosa Ribeiro, uma líder indígena brasileira de 19 anos que participa do protesto em Nova York, lamentou que o governo de Jair Bolsonaro, cético das mudanças climáticas e que eliminou várias proteções ambientais, "esteja matando a floresta".

"Os jovens protestando aqui hoje estão ajudando o planeta, e especialmente a nós, os indígenas, que estamos na primeira linha de luta", disse à AFP a jovem, da etnia xakriabá, de Minas Gerais, com o rosto pintado e um cocar de penas coloridas.

Os estudantes de Vanuatu, nas Ilhas Salomão, foram os primeiros a sair às ruas.

Em Tóquio, quase 3.000 pessoas protestaram de maneira pacífica. "O que nós queremos? Justiça climática! Quando queremos? Agora!", gritaram os participantes.

Na Indonésia, milhares de pessoas aderiram à convocação. O país é palco de incêndios florestais, que provocaram uma grande nuvem de fumaça tóxica nos últimos dias.

Na África do Sul, 500 pessoas protestaram em Johannesburgo.

- "Estamos em apuros" -Na Europa, 15.000 pessoas compareceram a uma manifestação em Bruxelas, enquanto na Alemanha, onde os ecologistas têm um forte peso eleitoral, ativistas bloquearam o trânsito no centro de Frankfurt. Em Berlim, o principal evento começou no emblemático Portão de Brandeburgo.

Houve milhares no Reino Unido, e em Paris se manifestaram pouco menos de 10.000 pessoas. Jeannette, de 12 anos, estava acompanhada do pai, Fabrice. "É meu aniversário e pedi para vir. A situação me deixa triste. Estamos em apuros e estamos fazendo tudo errado", disse.

As manifestações também foram importantes em Nova Délhi, Mumbai e Manila. "Muita gente aqui já sente os efeitos do aquecimento do planeta", indicaram os manifestantes, citando como exemplo os tufões.

Várias empresas encorajaram os jovens a participar dos protestos e disseram que farão sua parte. O máximo responsável da Amazon, Jeff Bezos, se comprometeu a atingir a neutralidade de carbono até 2040, e chamou outras pessoas a fazerem o mesmo.

Na próxima segunda-feira (23), o secretário-geral da ONU, António Guterres, preside uma reunião de emergência, na qual pretende solicitar aos líderes mundiais que fortaleçam e ampliem os compromissos adotados em 2015 no Acordo de Paris.

De acordo com as últimas estimativas publicadas pela ONU, para se ter alguma chance de conter o aquecimento global em 1,5ºC acima da temperatura média do século XIX, o mundo teria de zerar as emissões de carbono até 2050.

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