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Jornal da Nicarágua fecha atingido por embargo de papel e tinta

Jornal da Nicarágua fecha atingido por embargo de papel e tinta - Reprodução/elnuevodiario.com.ni
Jornal da Nicarágua fecha atingido por embargo de papel e tinta Imagem: Reprodução/elnuevodiario.com.ni

Em Manágua

27/09/2019 14h46

O jornal "El Nuevo Diario", uma voz crítica do governo socialista da Nicarágua, suspendeu suas operações nesta sexta-feira (27) após quase 40 anos de existência, impactado por um embargo ao papel e à tinta imposto pelas autoridades, informou a publicação.

"O 'Nuevo Diario' informa ao público em geral que decidiu interromper sua publicação devido a dificuldades econômicas, técnicas e logísticas que tornam sua operação insustentável", afirmou o jornal, um dos dois principais do país, em um comunicado.

Há quase um ano, o governo retém na Alfândega materiais importados como papel, tinta e outros suprimentos para a impressão de "El Nuevo Diario" e do "La Prensa", os únicos de circulação nacional. Consequentemente, o jornal reduziu o número de páginas e deixou de circular nos fins de semana.

"Estamos cientes da importância do Nuevo Diario como um meio essencial de comunicação na cobertura jornalística nos estágios relevantes da história recente da Nicarágua, desde sua fundação em 1980", disse o jornal também em seu último editorial.

O "Metro", uma publicação associada ao "Nuevo Diario" de distribuição gratuita em Manágua, também parou de circular.

O editorial de ambos os veículos anunciou que concluirá suas obrigações pendentes com os fornecedores, e os assinantes, reembolsados.

Assim como outras mídias independentes, "El Nuevo Diario" questionou fortemente a repressão estatal contra os protestos que eclodiram em abril de 2018 contra o governo de Daniel Ortega.

O anúncio do fechamento causou reações de condenação e arrependimento entre jornalistas e leitores.

A organização dos jornalistas PEN International na Nicarágua condenou o fechamento do jornal e acusou o governo de exercer "um boicote alfandegário, arbitrário e ilegal".