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Trump determina a diplomatas que obtenham trégua entre Turquia e curdos

O exército turco na fronteira com a Síria - Bulent Kilic/AFP
O exército turco na fronteira com a Síria Imagem: Bulent Kilic/AFP

10/10/2019 19h43

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou hoje que diplomatas do departamento de Estado atuem para obter um cessar-fogo entre Turquia e os curdos, após Washington retirar suas tropas da região, abrindo caminho para uma ofensiva turca.

"Recebemos a missão do presidente de tentar estabelecer um campo de entendimento entre os dois lados e se há como obter um cessar-fogo", informou um funcionário, que pediu para não ser identificado.

Mais cedo, Trump havia citado "três opções" para a crise: enviar tropas e ganhar militarmente, atingir duramente a Turquia com sanções ou mediar um acordo entre turcos e curdos", escreveu Trump no Twitter em meio à ofensiva do Exército de Recep Tayyip Erdogan contra o nordeste da Síria, área controlada pelos curdos.

A ofensiva deflagrada na quarta-feira pela Turquia, cujas forças cruzaram a fronteira com a Síria, gerou críticas internacionais, e durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU os cinco membros europeus - França, Alemanha, Bélgica, Reino Unido e Polônia - exigiram o fim imediato desta "ação militar unilateral".

O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou sua "profunda preocupação".

As forças curdas foram um aliado-chave dos EUA na luta contra o "Califado" proclamado pelos jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI), e estima-se que perderam mais de 11 mil homens nesta guerra.

A decisão de Trump gerou críticas inclusive entre os membros do seu partido republicano, que advertem que abandonar os curdos pode fazer ressurgir o EI.

Trump ameaçou destruir a economia turca caso a operação militar na Síria ultrapasse "os limites", sem precisar qual seria esta linha vermelha.

Nesta quinta-feira, um alto funcionário americano declarou que a ofensiva turca na Síria ainda não cruzou a linha vermelha traçada por Trump.

Ao ser questionado sobre que tipo de ação ultrapassaria este limite, o funcionário - que pediu para não ser identificado - citou uma "limpeza étnica" ou ataques "indiscriminados" contra a população civil.

"Até agora não observamos exemplos significativos disto, mas ainda está no início".

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