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Diplomata confirma pressão de Trump sobre Ucrânia para investigar Biden

17/10/2019 13h46

Washington, 17 Out 2019 (AFP) - O presidente Donald Trump ordenou que seu advogado pessoal participasse de conversas de diplomatas dos Estados Unidos com a Ucrânia e pressionou para que fosse investigada uma empresa ligada ao filho de seu rival Joe Biden - declarou o embaixador americano na União Europeia, Gordon Sondland.

Falando a comitês do Congresso americano que investigam um possível julgamento político de Trump, Sondland contou que, em maio passado, o presidente determinou que seu advogado pessoal, Rudy Giuliani, participasse das discussões de funcionários do Departamento de Estado com a Ucrânia de Volodimir Zelenski.

O magnata republicano também determinou a investigação da empresa ucraniana Burisma, onde o filho do ex-vice-presidente dos EUA, Hunter Biden, é membro do conselho administrativo.

Trump e Giuliani são acusados de condicionarem a ajuda militar dos Estados Unidos à Ucrânia ao compromisso de Zelenski de abrir uma investigação sobre os Biden e sobre se Kiev interferiu em favor dos democratas na eleição americana de 2016.

"Não entendi, até muito depois, que a agenda do senhor Giuliani também poderia ter incluído um esforço para estimular os ucranianos a investigar o vice-presidente Biden ou seu filho, ou para envolver os ucranianos, direta ou indiretamente, na campanha de reeleição do presidente em 2020", afirmou Sondland, segundo o texto de sua declaração.

De acordo com o diplomata, Giuliani enfatizou que Trump "queria uma declaração pública do presidente Zelenski, comprometendo a Ucrânia a investigar os problemas anticorrupção".

"Giuliani mencionou especificamente as eleições de 2016 (incluindo o servidor do Partido Democrata) e (o grupo) Burisma como dois temas de investigação anticorrupção de importância para o presidente", acrescentou.

Ex-vice-presidente de Barack Obama, Biden é um dos pré-candidatos democratas mais bem posicionados para disputar a eleição de 2020 com Trump. Hunter, filho de Biden, ocupou um cargo na diretoria do Burisma, um poderoso grupo do setor de energia da Ucrânia, durante cinco anos. Permaneceu na função até abril de 2019.

Empresário nomeado embaixador depois de doar um milhão de dólares para a cerimônia de posse de Trump, Sondland buscou se distanciar da polêmica que abala a Casa Branca e pode terminar no impeachment do presidente.

"Também nos decepcionou a instrução do presidente de envolver o senhor Giuliani", declarou em seu testemunho.

"Nossa opinião era que os homens e as mulheres do Departamento de Estado, não o advogado pessoal do presidente, deveriam assumir a responsabilidade de todos os aspectos da política externa dos Estados Unidos em relação à Ucrânia", acrescentou.

Sondland foi convocado pelos democratas, maioria na Câmara de Representantes, como "testemunha-chave" na investigação para um eventual processo de impeachment do presidente republicano.

Os congressistas iniciaram este explosivo procedimento depois que veio à tona uma conversa por telefone entre Trump e Zelenski em 25 de julho. Nela, o americano pede ao colega ucraniano que "olhasse" Biden e falasse com seu advogado pessoal.

Os democratas denunciam um abuso de poder de Trump para fins pessoais. O presidente alega que a conversa com o ucraniano foi "irrepreensível".

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