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Especialista da ONU dizem que morte de ex-presidente egípcio foi crime de Estado

08/11/2019 18h39

Genebra, 8 Nov 2019 (AFP) - Especialistas independentes da ONU estimaram em um relatório divulgado nesta sexta-feira (8) que a morte do ex-presidente islâmico egípcio Mohamed Mursi, que morreu em junho após desmaiar em tribunal, pode ser um "assassinato arbitrário sancionado pelo Estado".

"Mursi estava preso em condições que podem ser descritas como brutais, principalmente durante sua detenção por cinco anos na prisão de Tora", escreveram os especialistas em comunicado.

Sua morte, "depois de sofrer essas condições, pode significar um assassinato arbitrário sancionado pelo Estado", disse a equipe de especialistas, liderada pelo Relator Especial, Agnès Callamard, e pelo Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre detenções arbitrárias.

Mursi, o primeiro civil eleito democraticamente para a presidência do Egito, morreu em junho, depois de entrar em colapso em um tribunal no Cairo. Ele estava preso desde sua destituição em julho de 2013 por Abdel Fatah al Sissi, então comandante em chefe do exército e atual presidente do Egito.

Segundo especialistas, ele passou cerca de seis anos na prisão em regime de isolamento e foi privado de cuidados "de diabetes e hipertensão".

Especialistas disseram que "as autoridades foram avisadas várias vezes" sobre a deterioração de seu estado de saúde, uma degradação que acabou "matando-o".

"Não há provas de que eles (as autoridades) tenham agido para responder a essas preocupações, mesmo quando as consequências eram previsíveis", aponta o comunicado.

Depois de chegar ao poder em 2014, o governo de Sissi lançou uma repressão em larga escala, aprisionando milhares de islâmicos, entre outros oponentes. Ao descrever a morte de Mursi como "ilegal", os especialistas recomendaram uma investigação imparcial sobre a morte de prisioneiros no Egito desde 2012.

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