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Centenas de sikhs indianos iniciam histórica peregrinação ao Paquistão

09/11/2019 09h24

Kartarpur, Pakistan, 9 Nov 2019 (AFP) - Centenas de sikhs indianos cruzaram neste sábado a fronteira entre Índia e Paquistão para visitar um dos lugares mais sagrados de sua religião, uma peregrinação que só foi possível graças a um acordo entre os dois países.

A abertura de um corredor especialmente concebido para os peregrinos sikhs - reivindicado há anos pela Índia - permitirá que milhares deles participem sem necessidade de visto das comemorações, nos próximos dias, do 550º aniversário do nascimento do fundador de sua religião.

O mausoléu dedicado ao guru Nanak, fundador do sikhismo, está localizado em Kartarpur, uma pequena cidade junto ao rio Ravi, na província paquistanesa de Punjab, no lugar onde se acredita que faleceu em 1539.

Kartarpur fica a apenas 4 km da fronteira indiana.

Após horas de espera, o portal branco situado na fronteira entre os dois países foi aberto, pouco antes das 14H00 (06H00 em Brasília).

A multidão, que incluía muitos pais com seus filhos nos ombros, cruzou então alegremente o portal, antes de subir em ônibus que os levaram até seu destino.

Para os cerca de 30 milhões de sikhs que existem no mundo, o mausoléu de Kartarpur é um dos lugares mais sagrados.

Quando ocorreu a divisão entre Índia e Paquistão, em 1947, Kartarpur ficou do lado paquistanês, embora a maioria dos fiéis estejam do lado indiano da fronteira.

As décadas de tensões entre Índia e Paquistão - potências nucleares que se enfrentaram em três guerras - tornavam quase impossível para os sikhs visitar Kartarpur.

No entanto, ambos os países negociaram a criação deste corredor sem necessidade de visto para permitir que os sikhs indianos possam ir a Kartarpur.

"Um desejo de toda a nossa vida foi cumprido, nunca imaginamos isto", disse Manees Kaur Wadha, um peregrino sikh que chegou ao Paquistão há dias e já visitou o mausoléu.

"Desde a infância, nossos pais e avós nos contam muitas histórias sobre o Paquistão (...) Nunca imaginei que poderia vir ver isto e ter estes sentimentos", comentou.

"Esta terra é sagrada para eles", disse Habib Khan, de 63 anos, o imame da pequena mesquita de Kartarpur, situada ao lado do templo.

Espera-se que ao menos 700 peregrinos passem pelo corredor neste sábado, enquanto sikhs do mundo todo continuam chegando ao Paquistão para participar na peregrinação.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, cumprimentará neste sábado o primeiro grupo de peregrinos e está previsto que depois sejam recebidos no templo pelo primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan.

O acordo negociado pelos dois países permite que até 5.000 peregrinos possam cruzar a fronteira por dia.

O Paquistão contratou centenas de trabalhadores para fazer reparações no templo, incluindo a ampliação dos jardins e a construção de um posto de controle migratório e de uma ponte.

O sikhismo surgiu por volta do século XV na cidade de Lahore, que hoje fica no Paquistão, quando o guru Nanak começou a ensinar uma fé que prega a igualdade.

O número de sikhs é estimado em cerca de 20.000 no Paquistão. Milhões deles vivem na Índia, para onde muitos fugiram depois da violenta partição destes países em 1947.

Esta divisão provocou a maior migração em massa da história e causou a morte de pelo menos um milhão de pessoas.

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