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Militares atuarão com a polícia para deter violência na Bolívia

11/11/2019 23h16

La Paz, 12 Nov 2019 (AFP) - As Forças Armadas da Bolívia decidiram realizar operações conjuntas com a polícia para conter a violência provocada em várias regiões do país por partidários do ex-presidente Evo Morales, anunciou seu comandante, general William Kaliman.

"O comando das Forças Armadas determinou a execução de operações conjuntas com a polícia para evitar sangue e luto na família boliviana", disse Kaliman em declaração à TV local.

Kaliman determinou à tropa que utilize "a força de forma proporcional contra os atos de vandalismo que causam terror na população".

Kaliman recordou que as "Forças Armadas jamais abriram fogo" contra a população.

O chefe da polícia de La Paz pediu nesta segunda-feira a ajuda dos militares para deter a onda de violência gerada por partidários de Morales, que renunciou no domingo sob pressão.

"Ao comandante das Forças Armadas peço que intervenha: meu general Williams Kaliman, peço que intervenha porque a polícia boliviana foi superada", declarou o coronel José Barrenechea.

Quartéis da polícia em algumas cidades do país foram queimados e saqueados por partidários do ex-presidente.

A partir da tarde desta segunda-feira, centenas de apoiadores de Morales caminhavam em direção a La Paz da cidade vizinha de El Alto, enquanto o ex-presidente Carlos Mesa denunciava um iminente ataque à sua casa.

Mesa, principal adversário de Morales nas eleições de 20 de outubro, afirmou no Twitter que uma "multidão violenta se dirige" à sua casa com a intenção de destruí-lo" e pediu ajuda à Polícia.

Em vários bairros de La Paz, moradores organizavam grupos de defesa e montavam barricadas contra o assédio dos partidários de Morales, observou a AFP.

Em uma praça do bairro de San Miguel, a população erguia barricadas com latas de lixo, telhas de zinco, cordas e correntes para deter "uma turba violenta que se aproxima para destruir nossas casas", disse um dos moradores, que pediu ajuda à polícia.

Muitos jovens de identificam com faixas coloridas diante de suas casas, enquanto observam os celulares para ver o desenvolvimento dos confrontos na vizinha El Alto e na central cidade de Cochabamba.

Morales informou na noite desta segunda-feira, no Twitter, que está partindo para o México.

"Irmãs e irmãos, parto rumo ao México, agradecido pelo desprendimento do governo deste povo irmão que nos deu asilo para proteger nossa vida".

"É doloroso abandonar o país por razões políticas, mas sempre estarei a disposição. Em breve voltarei com mais força e energia", tuitou o ex-presidente indígena por volta das 21H30 local (22H30 Brasília).

"Evo Morales já está no avião do Governo do México enviado para garantir sua transferência segura para nosso país", confirmou o chanceler mexicano, Marcelo Ebrard, no Twitter.

rb/lr

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