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O ex-colaborador do premiê de Israel que virou seu acusador

22/11/2019 13h18

Jerusalém, 22 Nov 2019 (AFP) - Discreto, mas influente, o procurador-geral de Israel, Avichai Mandelblit, de 56 anos, ex-colaborador de Benjamin Netanyahu, entrou para a história do país por acusar formalmente um primeiro-ministro, algo que nunca havia acontecido até agora.

Esta não era, porém, sua intenção. "Foi um dia triste para Israel e para mim", afirmou na quinta-feira ao apresentar a denúncia contra Benjamin Netanyahu.

"Eu tomo essa decisão com o coração doendo, mas sem hesitação", afirmou, diante das câmeras de televisão, antes de ler os principais pontos de acusação de corrupção, desvio de fundos e abuso de confiança em diferentes casos.

Avichai Mandelblit foi nomeado procurador-geral em Israel em 2016, pelo próprio Netanyahu, mas hoje é ele que pode precipitar a queda do premiê.

De temperamento sóbrio, muito respeitado, serviu por dois anos (2013-2015) na gestão de Netanyahu como secretário-geral do governo, um alto funcionário encarregado de organizar e coordenar diariamente o trabalho do primeiro-ministro.

Nascido em Tel-Aviv, Mandelblit é um judeu ortodoxo que fez carreira no gabinete do promotor do Exército.

Em 2004, foi nomeado procurador-geral do Exército e, cinco anos, depois recebeu o posto de general.

Desde que ocupou essa posição estratégica, porém, recebe críticas da direita por suas investigações contra soldados israelenses suspeitos de peculato, ou de violência contra os palestinos durante uma operação militar em 2008 na Faixa de Gaza.

Em 2014, depois de deixar o Exército, ele foi investigado por fraude e abuso de confiança no caso Herpaz, o nome de um oficial condenado por facilitar a nomeação de um chefe de gabinete.

As acusações foram retiradas. Avichaï Mandelblit foi nomeado há três anos por Benjamin Netanyahu como consultor jurídico do governo, o equivalente em Israel do cargo de procurador-geral, uma função extremamente sensível.

Sua tarefa é a de defender legalmente a posição do governo, mas, ao mesmo tempo, desde 2017, ele enfrenta um grande dilema sobre se deveria acusar, ou não, seu "empregador".

Criticado pela esquerda, que queria a acusação de Netanyahu, e pela direita, que o censurava por querer perseguir o chefe do Governo, Mandelblit ficou entre a cruz e a espada.

Como muitas vezes rejeita entrevistas, Avichaï Mandelblit continua sendo um enigma para muitos observadores, que desconhecem as opiniões políticas desse pai de seis filhos.

O que agora está claro para todos é que esse jurista sem carisma específico se tornou um dos homens mais influentes de Israel, capaz de decidir o destino do primeiro-ministro mais antigo da história do país.

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