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Protesto contra a ONU deixa quatro mortos no Congo

25.nov.2019 - Manifestantes protestam em frente a um prédio da ONU em Beni, na República Democrática do Congo - Ushindi Mwendapeke Eliezaire/AFP
25.nov.2019 - Manifestantes protestam em frente a um prédio da ONU em Beni, na República Democrática do Congo Imagem: Ushindi Mwendapeke Eliezaire/AFP

25/11/2019 18h46

Beni, RD Congo, 25 Nov 2019 (AFP) - Ao menos quatro manifestantes morreram nesta segunda-feira (25) em protestos contra a Organização das Nações Unidas (ONU) em Beni, no leste da República Democrática do Congo, acusada pelos manifestantes de não agir contra uma série de massacres atribuídos ao grupo armado Forças Democráticas Armadas (ADF).

Os manifestantes reclamam que os capacetes azuis, a força de manutenção da paz da ONU, não agiu após o assassinato de quase 80 civis em um mês, supostamente nas mãos do ADF.

"Foram quatro mortos durante o dia" e "há dez civis e três militares congoleses feridos", disse à AFP o auditor militar Kumbu Ngoma, que mencionou a possibilidade de uma quinta vítima fatal.

Algumas "investigações" determinarão a origem dos disparos: "Não sabemos quem atirou", disse Ngoma.

A RDC anunciou operações militares "conjuntas" com a ONU, segundo a presidência após este ataque à Missão das Nações Unidas no Congo (Monusco) em Beni, onde a tensão dos últimos dias suspendeu a luta contra a epidemia de ebola, que matou cerca de 2.200 pessoas.

"As casas dos funcionários das Nações Unidas foram atacadas e vandalizadas", afirmou uma porta-voz da Monusco contatada pela AFP.

O escritório atacado está localizado próximo a um campo de Capacetes Azuis do Malauí, segundo a Monusco. As forças congolesas também estavam presentes no local.

"Os Capacetes Azuis começaram a atirar para o ar, mas nenhum disparo foi dirigido aos manifestantes", disse à AFP um porta-voz da missão da ONU.

Antes dos manifestantes invadirem, dois helicópteros das Nações Unidas pousaram brevemente na base civil da ONU e partiram, de acordo com o correspondente da AFP.

As forças de segurança congolesas dispararam para tentar conter manifestantes perto da base e de outra não muito longe, segundo a mesma fonte.

Em visita a Paris, a presidente do Parlamento congolês, Jeanine Mabunda, se perguntou publicamente sobre o papel da Monusco, estimando que a missão, ao custo de um bilhão de dólares por ano, "não pode permanecer indefinidamente".

"Há um desconforto entre a presença, o custo da Monusco na RDC e os resultados obtidos", afirmou à AFP Mabunda, que julgou "legítimo que as populações se perguntem por que essa força continua na RDC".

Antes de atacar a base da ONU em Beni, manifestantes atearam fogo na prefeitura, que foi parcialmente destruída, segundo o correspondente da AFP.

Luta contra o ebola ameaçada

A luta contra a epidemia de ebola, que assola a região, está interrompida desde sexta-feira.

Oito civis morreram no início desta segunda-feira em Bokeine, norte de Beni, em um novo assassinato atribuído às Forças Democráticas Armadas (ADF), disse um porta-voz do exército.

No total, 77 civis perderam a vida em Beni e arredores nas mãos do ADF em retaliação à ofensiva do exército congolês contra suas bases, anunciou em 30 de outubro.

Manifestantes denunciam há vários dias a falta de ação do exército e dos Capacetes Azuis presentes na região, antes dos assassinatos da ADF.

No sábado, um manifestante morreu quando a polícia dispersou uma marcha em Beni.

A Monusco se defende das acusações afirmando que o exército congolês lançou suas operações contra o ADF de maneira unilateral.

Os voluntários das ONGs em Beni foram convidados a ficar em suas casas nesta segunda-feira, "protegidos de ângulos de tiro e longe de portas e janelas", afirmaram fontes humanitárias.

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