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Macron mantém declaração sobre 'morte cerebral da Otan'

03/12/2019 17h09

Londres, 3 dez 2019 (AFP) - O presidente da França, Emmanuel Macron, manteve nesta terça-feira (3) suas declarações controversas sobre a Otan, organização que ele acusou de estar em "morte cerebral", gerando duras críticas de seus parceiros na Aliança Atlântica, entre eles o americano Donald Trump.

"Minha declaração provocou a reação de muitas pessoas, mas eu a mantenho", disse o presidente em uma entrevista ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que descreveu essas afirmações como "muito ofensivas".

Com suas declarações polêmicas, os franceses tentaram sacudir a cúpula da Otan, que começa nesta terça-feira em Londres, depois que o pedido de Trump por mais gastos militares para seus parceiros foi o tema central dos encontros anteriores.

Diante do presidente dos Estados Unidos, Macron disse que a Aliança, nascida dos escombros da Segunda Guerra Mundial para enfrentar a vizinha União Soviética na Europa, não é "apenas dinheiro".

A França defende uma reforma na estratégia da Otan, em um contexto de crescimento militar da China e ataques de grupos extremistas, razão pela qual Paris está preocupada com a ofensiva da Turquia no norte da Síria.

Macron afirmou que a Turquia deveria combater as milícias curdas das Unidades de Proteção Popular (YPG), chave na luta contra o grupo radical Estado Islâmico, mesmo considerando que Ancara trabalha "às vezes" com seus "intermediários".

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, criticou a visão de Macron no passado e, antes de viajar para Londres, anunciou que vetaria as decisões da Otan, desde que o YPG não seja reconhecido como "terrorista".

Numa reunião, com a presença do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e a chanceler alemã, Angela Merkel, Erdogan e Macron concordaram que a prioridade é lutar contra o EI.

Mas "nem todos os esclarecimentos foram obtidos nem todas as ambiguidades foram resolvidas", disse Macron, para quem não se deve "misturar as situações" em relação aos grupos terroristas.

- Investimentos "morosos" -Após as reuniões bilaterais, à noite será realizada a recepção oficial da rainha Elizabeth II. Boris Johnson também vai promover um evento social para os 29 líderes da Aliança, no penúltimo dia do encontro.

O último dia, no qual será apresentado um documento para lembrar os sucessos da Otan, deve ser o mais agitado, com Trump aumentando novamente a pressão sobre aliados que não gastam o suficiente.

O presidente dos Estados Unidos, o primeiro poder da Otan e cujos gastos militares nacionais atingiram 3,30% do PIB em 2018, elogiou os esforços dos aliados para aumentar os repasses para o organismo.

Mas, em sua opinião, os processos para aumento nos investimentos estão "morosos". Segundo dados da Aliança, apenas nove de seus 29 membros atingiram 2% do PIB este ano em gastos militares, meta prometida para até 2024.

O dirigente americano apontou como exemplo o caso da primeira economia europeia, a Alemanha, que vai atingir 1,38% do PIB em 2019 e aqueles com menos gastos, em referência ao Luxemburgo (0,56%) e Espanha (0,92% ).

Apesar de suas críticas e da disputa comercial em relação imposto francês sobre o setor digital, Trump adotou uma postura mais conciliatória com Macron sobre a estratégia da Otan.

- China no retrovisor -Trump defendeu examinar, por exemplo, desafios como "o enorme crescimento da China", chave para a Rússia e os Estados Unidos, deixando um tratado fundamental da Guerra Fria sobre armas nucleares.

"Acabamos com o tratado INF porque a outra parte [Moscou] não vai aderir a ele, mas quer firmar um acordo e nós também", disse Trump, considerando possível "conseguir uma solução" para as armas nucleares.

Macron também pediu, nesse contexto, de "diálogo estratégico", mas sem "ingenuidade" com a Rússia, o principal foco de preocupação dos países bálticos desde o início do conflito na Ucrânia em 2014.

O presidente russo, Vladimir Putin, disse pouco antes estar disposto a "cooperar" em questões como "terrorismo" ou "o perigo da proliferação de armas de destruição em massa", apesar do comportamento dos aliados.

Na quarta-feira, os líderes terão sobre a mesa as propostas de Paris e Berlim para iniciar uma reflexão sobre o futuro da Otan e devem confirmar sua aposta no espaço, entre outras decisões.

O secretário-geral da Aliança Atlântica, Jens Stoltenberg, criticou as declarações francesas sobre a entidade ao afirmar que "a Aliança é ativa, ágil e efetiva".

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