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Estudante militar saudita mata três pessoas em base militar dos EUA

06/12/2019 18h13

Miami, 6 dez 2019 (AFP) - Um estudante da Força Aérea saudita abriu fogo em uma base militar na Flórida, onde matou três pessoas antes de ser abatido pela Polícia em uma troca de tiros pelo qual o rei saudita prestou suas condolências ao presidente americano, Donald Trump.

O ataque, que ocorreu na Estação Aérea Naval da cidade de Pensacola, no noroeste da Flórida, deixou ainda sete feridos, entre eles dois policiais que reagiram. Um deles ficou ferido em um dos joelhos e outro no braço, com expectativa de recuperação.

O governador da Flórida, Ron DeSantis, disse que o atacante é da Arábia Saudita e tem a mesma nacionalidade de 15 dos 19 homens envolvidos nos ataques de 11 de setembro de 2001, alguns dos quais estudaram neste estado americano.

"Acho que obviamente haverá muitas interrogações sobre o fato de este indivíduo ser estrangeiro, ter feito parte da Força Aérea saudita e que estivesse treinando em nosso solo", disse DeSantis em coletiva de imprensa.

O comandante Timothy Kinsella disse que o atacante, cujo nome as autoridades não revelaram, era estudante de aviação, um entre as "duas centenas" de estudantes internacionais desta base militar.

Segundo a agência oficial saudita, o rei Salman telefonou para o presidente americano para condenar o ataque. Mais cedo, o próprio Donald Trump declarou em um tuíte que Salman havia ligado para prestar condolências.

"Ele (o rei) afirma que o autor deste crime atroz não representa o povo saudita", informou a agência Saudi Press sobre o telefonema.

"O rei Salman, da Arábia Saudita, acaba de ligar para expressar suas sinceras condolências", tuitou mais cedo o presidente Trump.

"O rei disse que os sauditas estão irritados com as ações selvagens deste agressor e que esta pessoa de nenhuma forma representa os sentimentos dos cidadãos sauditas, que amam os americanos", acrescentou.

O tiroteio começou por volta das 06H30 locais (09H30 de Brasília) na base militar da cidade litorânea de Pensacola, com 53.000 habitantes, informou o xerife do condado de Escambia, David Morgan. Um de seus agentes matou o agressor, que levava uma arma curta.

"Caminhar na cena do crime foi como estar no cenário de um filme", descreveu o xerife. "A gente não espera que isto aconteça em casa (...), mas aconteceu".

A base naval, que basicamente tem salas de aula, permanece interditada.

"É um dia trágico para a cidade de Pensacola", disse o prefeito Grover Robinson.

Participam da investigação agências federais, entre elas o FBI e a agência a cargo de armas e explosivos.

- Apavorados em casa -Embora os ataques maciços a tiros sejam comuns nos Estados Unidos, é pouco frequente sua ocorrência em instalações militares.

Cada ataque alimenta o debate sobre o controle de armas nos Estados Unidos, cuja Constituição garante o direito a tê-las e portá-las.

"Nossos veteranos de guerra e militares ativos põem suas vidas em risco para nos proteger no exterior, não deveríamos nos sentir aterrorizados pela violência armada em casa", denunciou em um comunicado Cindy Martin, uma voluntária da seção da Flórida da Moms Demand Action (Mães que exigem ações), cuja filha trabalha na base naval.

Este episódio ocorre dois dias depois da morte de duas pessoas na quarta-feira na base de Pearl Harbour, no Havaí, nas mãos de um marinheiro que abriu fogo e depois atirou contra a própria cabeça.

Na quinta também foi registrado um tiroteio no sul da Flórida, em Miramar, ao norte de Miami, em outra cena de cinema.

Dois ladrões de uma joalheria fugiram ao cair da tarde e protagonizaram uma perseguição que terminou na morte de quatro pessoas em plena via, entre elas um motorista dos correios que tinha sido sequestrado por eles e um pedestre.

A estação naval e aérea de Pensacola tem 16.000 militares e 6.000 civis e é a base de uma esquadrilha de demonstração de voos.

É o local de treinamento inicial para pilotos navais e conhecida como "o berço da aviação naval".