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Erdogan recebe dirigente líbio, em meio a tensões no Mediterrâneo

15/12/2019 20h50

Istambul, 15 dez 2019 (AFP) - O presidente turco Recep Tayyip Erdogan recebeu pela segunda vez em menos de um mês o dirigente do Governo Líbio de União Nacional (GNA), Fayez al-Sarraj, alguns dias depois de dizer que enviaria tropas para a Líbia para apoiá-lo.

A reunião a portas fechadas, que não estava na agenda pública do chefe do Estado turco, ocorreu no Palácio Dolmabahce, na costa europeia de Istambul, anunciou a presidência turca, sem dar mais detalhes.

Em 27 de novembro, em Istambul, os dois assinaram um acordo de delimitação marítima e um acordo de cooperação de segurança que autoriza o envio de eventual ajuda militar turca.

Este texto foi apresentado no último sábado ao Parlamento turco para debate e ratificação.

O acordo marítimo concluído em novembro entre a Turquia e a Líbia foi criticado por vários países, como Grécia e Chipre, pois permite que Ancara reivindique direitos sobre vastas áreas do Mediterrâneo oriental, ricas em hidrocarbonetos.

Erdogan disse na terça-feira que a Turquia está disposta a enviar tropas na Líbia para apoiar o GNA, que enfrenta uma ofensiva por forças rivais do marechal Jalifa Haftar, se houver um pedido nesse sentido.

Questionado sobre essa possibilidade neste domingo em uma entrevista à rede de televisão A Haber, Erdogan disse que "a Turquia decidirá sozinha qual iniciativa tomar" em caso de solicitação de envio de tropas para a Líbia.

"Eu já disse que estamos dispostos a fornecer qualquer tipo de ajuda à Líbia", acrescentou.

Em sinal de aproximação entre os dois países, Ancara anunciou no sábado que os líbios com menos de 16 anos ou mais de 55 anos poderão viajar para a Turquia sem visto.

A Líbia é palco de um conflito entre o GNA, reconhecido pelas Nações Unidas e apoiado pela Turquia e Catar, e o marechal Haftar, um homem forte no leste da Líbia e apoiado pelo Egito e pelos Emirados Árabes Unidos, dois rivais regionais de Ancara.

As forças de Haftar, que conduzem uma ofensiva contra Trípoli desde abril, anunciaram na quinta-feira uma nova "batalha decisiva" para conquistar a capital.

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