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Coronavírus mata mais de 100 na China e contágio se acelera no exterior

28/01/2020 14h23

Wuhan, China, 28 Jan 2020 (AFP) - Os primeiros casos de pessoas que contraíram o novo coronavírus fora da China apareceram nesta terça-feira, enquanto vários países organizam a evacuação de seus cidadãos de Wuhan, epicentro de uma epidemia que deixou 106 mortos e cerca de 4.500 infectados no gigante asiático.

Neste contexto, pesquisadores dos Institutos Nacionais de Saúde americanos (NIH) lançaram o desenvolvimento de uma vacina, um trabalho que levará vários meses, anunciou Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas.

"Estamos prevendo o pior dos cenários, no caso de se tornar uma grande epidemia", explicou.

Uma dúzia de países foi afetada - com cerca de 50 pacientes - na Ásia, Europa, América do Norte e Austrália, mas desde o início da pneumonia viral, em dezembro, em Wuhan (centro da China) não tinha havido contágio entre humanos fora desse país.

A Alemanha, o segundo país afetado na Europa depois da França, relatou nesta terça o primeiro caso de contágio na Europa, um homem que teve contato com uma colega chinesa que estava de visita.

O Japão também anunciou o caso em seu território de um sexagenário que não viajou para a China, mas transportou turistas de Wuhan em janeiro.

"A epidemia é um demônio e não podemos deixar esse demônio escondido", disse o presidente chinês Xi Jinping, referindo-se ao fato de o governo comunista ter sido acusado de esconder o coronavírus anterior, SARS, que causou centenas de mortes em 2002.

O secretário americano para a Saúde, Alex Azar, pediu nesta terça ao governo chinês mais transparência na gestão da epidemia.

"Mais cooperação e transparência são as medidas mais importantes a serem tomadas para uma resposta mais eficaz", declarou em coletiva de imprensa.

Zhong Nanshan, renomado cientista da Comissão Nacional de Saúde da China, considerou que a epidemia deve atingir um pico em uma semana ou cerca de dez dias.

- Repatriamento -Quase toda a província de Hubei, cuja capital é Wuhan, está isolada do mundo por ordem das autoridades para tentar impedir a propagação da epidemia. Cerca de 56 milhões de habitantes vivem confinados.

Essa quarentena surpreendeu milhares de estrangeiros na região. Para tirá-los, Estados Unidos, França, Japão, Marrocos e outros países preparam voos de repatriamento.

A França prepara dois aviões para repatriar 250 de seus cidadãos e mais de 100 de outros países, enquanto os Estados Unidos planejam recuperar os funcionários de seu consulado em Wuhan na quarta-feira.

O Japão enviou uma aeronave para Wuhan nesta terça-feira para cerca de 200 cidadãos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), porém, "não recomenda" a evacuação de estrangeiros presos em Wuhan, afirmou nesta terça-feira em Pequim seu diretor-geral, Tedros Adhanom Gebreyesus, de acordo comunicado da diplomacia chinesa.

A OMS disse à AFP que não poderia "esclarecer" essas palavras no momento.

"Temos todos os meios, a confiança e os recursos para vencer rapidamente a batalha contra a epidemia", garantiu o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi.

A OMS considera a ameaça elevada, mas não ativou um alerta internacional.

A ameaça de propagação é considerável. Muitos estrangeiros que vivem em Wuhan estão angustiados: "É extremamente estressante. O principal medo é que isso dure meses", disse Joseph Pacey, professor britânico de 31 anos, à AFP.

- Bateria de medidas -A propagação do vírus aumenta a ansiedade e a bateria de medidas de contenção. Muitos países reforçaram a vigilância em suas fronteiras. A Mongólia fechou sua fronteira terrestre com a China.

Vários países desaconselham a viagem a esta província, mas a Alemanha a estendeu a toda a China. Os Estados Unidos fizeram o mesmo.

O pânico tomou conta das grandes metrópoles chinesas, onde os habitantes permanecem trancados em suas casas, com os shopping centers, cinemas e restaurantes desertos.

"Muitos estão muito preocupados. Não há muitas pessoas nessas ruas. As famílias preferem ficar em casa em vez de sair, todo mundo quer ter o mínimo de comunicação possível com o mundo exterior", disse à AFP, no centro de Xangai, David, um morador de Wuhan.

As autoridades chinesas estenderam por três dias, até 2 de fevereiro, o feriado (sete dias) do Ano Novo Chinês, celebrado em 25 de janeiro, para atrasar o fluxo de centenas de milhões de pessoas e reduzir o risco de propagação da epidemia.

Além disso, o início do semestre escolar foi adiado sem prazo definido.

Pelo menos 2.000 trens interprovinciais foram cancelados em toda a China desde sexta-feira. As rotas ferroviárias serão suspensas até pelo menos 8 de fevereiro.

As autoridades chinesas recomendaram nesta terça-feira que seus cidadãos adiem seus planos de viagem ao exterior. Hong Kong anunciou que fechará locais públicos como estádios, museus e piscinas, reduzirá pela metade os voos da China continental e fechará seis dos 14 postos de fronteira.

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