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Passageiros deixam navio atracado no Japão após 14 dias em quarentena

18/02/2020 23h30

Os passageiros do navio "Diamond Princess", onde foram detectados mais de 540 casos de infecção pelo novo coronavírus, começaram a deixar o navio na quarta-feira (noite de terça no Brasil), depois de 14 dias de quarentena no Japão, constatou um jornalista da AFP.

Cerca 500 passageiros sem sintomas que deram negativo e que não tiveram contato com pessoas portadoras do vírus desembarcarão durante o dia, informou o ministério da Saúde japonês.

"Estou aliviado. Quero descansar", declarou um japonês de 77 anos, que pretendia usar o transporte público para voltar para sua casa.

"A vida a bordo era cômoda, estou bem", respondeu ao ser questionado sobre a quarentena.

Vários ônibus da cidade de Yokohama e alguns táxis aguardavam os passageiros.

Alguns acenaram para as pessoas obrigadas a permanecer no navio.

O número de infecções a bordo do navio de cruzeiro, atracado no porto de Yokohama, alcançou pelo menos 542 na terça-feira, o que provocou muitas críticas sobre a gestão da quarentena por parte das autoridades nipônicas.

Na China, berço da epidemia do novo coronavírus, o balanço da doença supera 2.000 mortos e 74.000 infectados.

As 3.711 pessoas de 56 países a bordo faziam um cruzeiro pela Ásia que virou um pesadelo, entre o medo de contrair uma pneumonia viral que pode ser fatal e o tédio do confinamento em suas cabines, algumas delas sem janela, e com uma caminhada curta no convés como única distração.

"Mais uma vez nosso reconhecimento para a tripulação e o capitão por sua incrível atenção durante esta crise épica", tuitou Yardley Wong, confinado com seu filho de seis anos.

"Se você e sua companhia de cabine apresentam resultados negativos e não apresentam sintomas respiratórios ou febre podem se preparar para desembarcar", anunciaram as autoridades na terça-feira aos passageiros em uma carta.

A operação deve demorar três dias.

David Abel, um passageiro britânico que ganhou fama com os vídeos publicados no início da quarentena, descreveu o estado de ânimo dos passageiros confinados.

"O mais duro é não saber o que vai acontecer. Começa a nos afetar mentalmente. É muito difícil se concentrar em algo", disse Abel. Algumas horas depois, o britânico anunciou que o exame de sua esposa Sally deu positivo.

OMS pede calma

O número de mortos pelo novo coronavírus aumentou nesta terça-feira (18) para cerca de 1.900, mas as autoridades chinesas e a Organização Mundial da Saúde tentaram acalmar os ânimos, ao citar um estudo que assegura que a maioria das infecções é leve.

Um total de 1.865 pessoas morreram (1.860 na China continental e 5 em Hong Kong, Filipinas, Taiwan, Japão e França) e cerca de 73.500 se infectaram (900 em cerca de 30 países e territórios autônomos chineses).

"Este é um surto muito sério e tem o potencial de crescer, mas precisamos colocá-lo em sua justa medida com o número de pessoas infectadas", disse Michael Ryan, encarregado do departamento de emergência médica da OMS.

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