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Premiê de Lesoto será indiciado por morte da ex-mulher

Premiê de Lesoto, Thomas Thabane - GIANLUIGI GUERCIA/AFP
Premiê de Lesoto, Thomas Thabane Imagem: GIANLUIGI GUERCIA/AFP

Da AFP, em Maseru, Lesoto

20/02/2020 11h44

O primeiro-ministro de Lesoto, Thomas Thabane, será indiciado formalmente nesta sexta-feira (20) pela morte de sua ex-mulher, assassinada em 2017 na capital Maseru - anunciou a polícia deste pequeno reino da África austral.

Sob pressão de seu partido para que renuncie, o chefe de governo garantiu que entregará o cargo "até o final de julho".

Este anúncio do primeiro-ministro coincide com a do número dois da polícia, Paseka Mokete.

"Amanhã (sexta-feira), está acordado com seu advogado que (Thomas Thabane) comparecerá à Justiça, formalmente indiciado" pela "morte" de Lipolelo Thabane, sua ex-mulher, afirmou Mokete.

"Isso não significa que estivesse presente (no momento do crime), mas estava combinado com o, ou os autores", acrescentou.

Em 14 de junho de 2017, Lipolelo Thabane, de 58 anos, foi morta quando voltava de carro para casa, em Maseru, apenas dois dias antes de Thomas Thabane assumir como premiê. O casal estava em processo de divórcio.

Em sua posse, no dia 16 de junho de 2017, Thomas Thabane sentou-se ao lado daquela que dois meses depois se tornaria sua esposa, Maesaiah.

No início do ano, a atual esposa foi acusada do assassinato da rival.

A investigação do crime se arrastou por dois anos.

Na segunda-feira, o partido da situação, a Convenção de Todos os Basotho (ABC), deu um ultimato ao premiê para que deixasse o cargo hoje.

Thomas Thabane, de 80, anunciou hoje que deixará o cargo no "final de julho".

"Espero que os próximos meses em que permanecerei no cargo deem tempo suficiente ao meu partido para trabalhar nas disposições para a transição", declarou Thabane, em declaração divulgada pela rádio pública.

O anúncio não foi uma grande surpresa. Em meados de janeiro, Thomas Thabane já havia antecipado que renunciaria, em uma data ainda não especificada.

A população do Lesoto, um país incrustado no território da África do Sul, ficou chocada com o anúncio de Thomas Thabane.

"Isso desafia a lógica de que ele queria permanecer no poder, apesar da polêmica", reagiu um vendedor ambulante da capital, Malefa Mpobole, de 52 anis.

"Este velho deve partir enquanto puder. Ele nos decepcionou (...). Deve partir com sua esposa", disse outro morador de Maseru, Lenka Ntjabane, 43 anos.

Em janeiro, a polícia interrogou o chefe de governo como parte da investigação do assassinato de sua esposa anterior.

Em uma declaração enviada à justiça, o chefe de polícia Holomo Molibeli acusou Thomas Thabane de estar "envolvido" no crime. Ele relatou um telefonema suspeito no local do assassinato e feito a partir do celular do primeiro-ministro.

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