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Ex-presidente egípcio Hosni Mubarak morre aos 91 anos

25/02/2020 12h11

Cairo, 25 Fev 2020 (AFP) - O ex-presidente egípcio Hosni Mubarak, que governou seu país por três décadas até ser obrigado a abandonar o poder após uma revolta popular, faleceu nesta terça-feira (25) aos 91 anos em um hospital militar.

Desde sua renúncia, em fevereiro de 2011, após 18 dias de protestos sem precedentes contra seu regime, muitos boatos circularam sobre a saúde do ex-chefe de Estado, tanto na imprensa como nas redes sociais.

Depressão aguda, câncer, acidentes cardiovasculares ou problemas respiratórios foram algumas das hipóteses citadas a respeito da saúde do ex-presidente, que foi hospitalizado diversas vezes na UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Em 24 de janeiro, seu filho Alaa Moubarak anunciou no Twitter que o pai havia sido submetido a uma cirurgia e que estava bem.

Nesta terça-feira, a notícia de sua morte foi confirmada e divulgada pela imprensa egípcia, incluindo canais de televisão e o jornal Al Ahram.

De acordo com a imprensa, o funeral militar de Mubarak acontecerá na quarta-feira.

Entre as primeiras reações a sua morte, a presidência do Egito, ocupada por Abdel Fatah al Sisi, publicou um comunicado de condolências, que apresenta o autocrata como "um herói da guerra de outubro de 1973" (contra Israel), durante a qual comandou a Força Aérea.

- Problemas com a justiça -No outro extremo do espectro político, Mohamed el Baradei, prêmio Nobel da Paz e figura de destaque da oposição liberal a Mubarak, também expressou pêsames à família.

Ayman Nur, opositor no exílio na Turquia e que foi candidato à presidência em 2012, escreveu em um tuíte de condolências que "perdoa" Mubarak.

O ex-comandante em chefe, que liderou durante 30 anos um regime marcado pelos abusos policiais e a corrupção, foi o primeiro presidente do país a ser processado, mas foi sido absolvido da maioria das acusações.

Seus problemas com a justiça foram ofuscados pela chegada ao poder da Irmandade Muçulmana em 2012 e pela destituição, um ano depois, do presidente Mohamed Mursi pelo general Abdel Fatah al Sisi, que se tornou presidente um ano depois.

Com o passar dos anos, a aversão dos egípcios pelo ex-presidente foi mudando para uma indiferencia misturada à nostalgia, pois muitos passaram a considerar seu período no poder como uma época de estabilidade.

Sua defesa dos acordos de paz de 1979 com Israel e sua fama de "moderado" no mundo árabe renderam amigos nos Ocidente, sobretudo nos Estados Unidos, grande aliado do Egito desde então.

Israel foi um dos primeiros países a reagir à notícia da morte de Mubarak. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu elogiou o egípcio como um "amigo pessoal, um líder que conduziu seu povo à paz e à segurança, à paz com Israel".

O presidente palestino, Mahmud Abbas, elogiou seu compromisso com a "liberdade e a independência" do povo palestino. O Egito de Mubarak teve um papel de mediador nos momentos de grande tensão entre palestinos e israelenses.

A abertura econômica adotada durante os últimos anos de seu mandato gerou o crescimento do país, mas também o aumento das desigualdades, do descontentamento social e da corrupção.

- "Consciência tranquila" -Apesar de ter demonstrado ser um adversário firme contra os jihadistas da Al-Qaeda, Mubarak não conseguiu frear o avanço da Irmandade Muçulmana.

Foi o chefe de Estado que passou mais anos no poder desde a abolição da monarquia em 1953 e manteve o estado de emergência durante todo seu mandato.

Escapou ileso de várias tentativas de assassinato, incluindo uma em Adis Abeba em 1995, quando criminosos cortaram a passagem de sua comitiva e abriram fogo contra seu veículo, blindado, que havia sido transportado do Cairo.

"Minha vida vai se aproximando do fim, graças a Deus tenho a consciência tranquila e estou feliz de ter passado (minha vida) defendendo o Egito", declarou Mubarak durante um de seus julgamentos.

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